Diagnóstico vascular interrompeu hábito mantido desde a adolescência
Uma pequena ferida na unha do pé levou João Antônio a descobrir uma doença relacionada às quatro décadas em que fumou. O machucado não cicatrizava e fez com que ele procurasse atendimento médico. O diagnóstico foi de tromboangeíte obliterante, também conhecida como doença de Buerger.
A enfermidade compromete a circulação dos membros e está relacionada ao tabagismo. Em casos graves, pode levar à amputação.
João começou a fumar ainda na adolescência, quando o cigarro era visto com naturalidade e fazia parte do cotidiano. O hábito permaneceu por cerca de 40 anos. Com o diagnóstico, a decisão foi imediata.
“Naquele mesmo dia que recebi o diagnóstico, parei de fumar”, conta João.
A recuperação, entretanto, foi longa. Ele ficou internado por dois meses e permaneceu cerca de seis anos afastado do trabalho durante o tratamento.
Outros riscos
Os prejuízos provocados pelo cigarro não se limitam aos pulmões. O tabagismo está associado a doenças cardiovasculares, respiratórias e vasculares, além de diferentes tipos de câncer.
“Muitas pessoas ainda associam o cigarro principalmente ao câncer de pulmão, mas os prejuízos são muito mais amplos. O tabagismo compromete a circulação sanguínea, o coração, os pulmões e diversos outros órgãos, podendo provocar doenças graves e incapacitantes”, explica o cirurgião torácico da Unimed Tubarão, Dr. Marcelo Losso.
Segundo dados do Ministério da Saúde, por meio do Vigitel, o percentual de adultos fumantes caiu de 15,7% em 2006 para 11,7% em 2024. Em 2023, o índice havia sido de 9,2%.

Tabagismo está ligado a vários tipos de câncer
O câncer de pulmão é uma das doenças mais associadas ao cigarro, mas o tabagismo também está relacionado a tumores de boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, intestino, rim, bexiga e colo do útero.
“O tabagismo é um dos principais fatores de risco evitáveis para o câncer. A fumaça do cigarro contém substâncias capazes de provocar alterações nas células e, ao longo do tempo, favorecer o desenvolvimento de tumores. E esse risco não está restrito ao pulmão: o uso do tabaco está relacionado a diversos tipos de câncer”, explica o oncologista da Unimed Tubarão, Dr. Kélio Pinto.
A nicotina também está por trás da dependência. O primeiro contato com o cigarro muitas vezes ocorre na adolescência, influenciado pela curiosidade, pelos amigos ou pela convivência social. Com o tempo, fumar pode se tornar parte da rotina.
“Muitas vezes, o cigarro passa a ocupar um espaço na rotina e na vida emocional da pessoa. Ele pode estar associado ao café, ao trabalho, à ansiedade, ao estresse ou a momentos de socialização. Quando alguém decide parar de fumar, não está apenas retirando a nicotina, mas também rompendo com uma série de hábitos e associações construídas ao longo do tempo”, explica a psicóloga da Unimed Tubarão, Mayara Nola.
O tratamento pode incluir acompanhamento profissional, mudanças de hábitos e, quando indicados, medicamentos e terapias de reposição de nicotina.
Vape
Os cigarros eletrônicos também são motivo de preocupação, especialmente entre jovens. Apesar dos diferentes formatos e sabores, os dispositivos podem liberar nicotina, substâncias químicas e metais associados a danos à saúde.
No Brasil, a Anvisa mantém proibidas a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda dos dispositivos eletrônicos para fumar.
Quem pretende abandonar o cigarro pode procurar um médico ou profissional de saúde para avaliar as opções de tratamento.