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Indústrias sofrem com falta de matéria-prima

29/10/2020 06:00

A interrupção das atividades de cadeias globais de valor durante o período mais crítico da pandemia e a forte retomada econômica estão entre as explicações para as dificuldades encontradas por setores da indústria para conseguir matérias-primas, explica o consultor econômico da Fiesc, Pablo Bittencourt.


Na região, o presidente da Acit (Associação Empresarial de Tubarão), Gean Carlo de Bom da Silva, confirma que existe escassez de matéria-prima, basicamente em todos os segmentos, e os que não estão com este problema encaram um grande aumento no valor dos insumos. “O que todos alegam ainda é o aumento do dólar; com a quantidade de insumos que a China está comprando e a Europa está levando para fora, a indústria está preferindo vender em dólar do que deixar para o mercado interno”, avalia.


“Como se não bastasse a escassez de matéria-prima, temos ainda, então, a questão dos altos preços. Isso, por consequência, é repassado para o consumidor final, como estamos percebendo no aumento nos supermercados e material de construção, por exemplo”, pontua Gean.


Os desafios encontrados por muitas indústrias para comprar insumos estão relacionados ao descompasso entre oferta e demanda, causado por fatores como paralisia de cadeias produtivas, sobretudo em março e abril, velocidade da retomada da demanda em diversas economias, mudança do padrão de consumo e taxa de câmbio.


Esses pontos foram destacados pelo consultor da Fiesc e confirmados por uma sondagem feita pela federação em parceria com a CNI, que revela que 50,5% das indústrias catarinenses consultadas não podem aumentar a produção por conta da escassez de matérias-primas.


O presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, informou que, em visita a indústrias nos últimos dias, empresários relataram dificuldades para conseguir insumos, além da falta de mão de obra. “E associado a isso há desafios na infraestrutura de transportes e no fornecimento de energia. Tem empresas que não estão conseguindo expandir as atividades por conta de limitações como essas”, afirmou.

 

Descompasso entre oferta e procura

Depois de uma queda no nível de consumo do varejo, que alcançou em abril níveis de vendas de 2010, a economia reagiu e em agosto o desempenho das vendas chegou a níveis superiores a 2014. “Essa forte retomada nacional também ajuda a explicar o descompasso entre oferta e demanda dos insumos”, salientou Pablo, lembrando que o vigor da retomada tem a ver com o auxílio emergencial que chegou a um terço da população.

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