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Homens mostram talento na cozinha

04/01/2020 06:00
Gilmar Estevam e Tatiana Dornelles/DS

Em meio a panelas, talheres, fogão e ingredientes, cada vez mais é comum vermos uma cena que no passado era raríssima: os homens no comando das cozinhas. Independentemente da idade, eles são cozinheiros que realmente gostam do que fazem. Alguns, inclusive, buscam a especialização e viram chefs de cozinha.


Com apenas 19 anos, os gêmeos Elton e Tael Dornelles Boaventura têm uma missão: cozinhar para um batalhão de cerca de 200 pessoas. Eles, que são militares da 3ª Companhia do 63º Batalhão de Infantaria de Tubarão, preparam desde o café da manhã ao jantar.


Segundo o soldado Tael, o rancho (como chamam a cozinha no quartel) tem seis cozinheiros, que se dividem em escala para comandar o dia. Quando ele ou o irmão estão em serviço, além de ficarem à frente da cozinha, são os responsáveis por preparar o café da manhã, almoço, café da tarde e jantar para todo o batalhão e para a equipe de serviço. “Nossa formação aqui no quartel é como cozinheiros. Quando estamos de serviço, por exemplo, somos responsáveis por tudo e contamos com auxiliares de cozinha”, diz o jovem.

Entre os pratos que os gêmeos aprenderam a cozinhar no quartel estão salmão ao molho de maracujá, lasanha de carne, arroz piamontese, entre outros. E estes pratos são preparados não para uma ou duas pessoas, mas, literalmente, para o batalhão.


“Aprendemos a fazer vários tipos de comida, e em grande quantidade”, ressalta o soldado Boaventura (Elton). Além de pratos salgados, os gêmeos também preparam bolos e vários tipos de sobremesas, como pudins, mousses, entre outros.

 

Chef usava madrugada para produzir

Nivaldo Nazario Floriano Júnior, de 23 anos, é chef confeiteiro. Com 14 anos, começou a trabalhar com uma pessoa que fazia salgados e bolos, e foi aí que começou a paixão pela cozinha.


“Trabalhei com ela até os 18 anos, quando comecei a fazer faculdade de hotelaria à noite e trabalhar numa empresa em horário integral. Nesse local, vi que as pessoas tinham vontade de comer algo doce e não tinham onde comprar. Foi aí que veio a ideia de fazer doces e vender. Vendia, em média, 80 doces por dia. Comecei a pegar encomendas, e o negócio foi crescendo”.


Segundo Nivaldo, aos 19 anos ele trabalhava durante o dia, fazia faculdade à noite e produzia doces durante a madrugada. “O que me motivou a abrir meu próprio negócio e trabalhar somente com confeitaria foi que eu não dava mais conta de fazer doces. O que era uma renda extra passou a ser maior do que meu salário fixo. Porém, sempre tive medo de sair da empresa e apostar somente nisso”.


Em 2016, depois de formado, ele saiu da empresa onde trabalhava e começou a focar nos doces. “Não deu muito certo. Então, fui trabalhar de confeiteiro num hotel e continuei com as encomendas. Em janeiro de 2018, decidi trabalhar somente com a confeitaria, e hoje conto com duas funcionárias, e as encomendas aumentam a cada dia”, revela Nivaldo.


Para uma receita dar certo, diz Nivaldo, tem que ter ingredientes de qualidade, conhecimento no que está fazendo, técnica e muito amor. “Sobre homens na cozinha? Eu acho isso muito legal, ainda mais na confeitaria. Acho que isso vem crescendo com os anos. Antigamente, quem fazia bolos eram as donas de casa. Hoje em dia, ser boleiro, confeiteiro ou doceiro é sinal de orgulho”, acrescenta Nivaldo.

 

Acadêmico de engenharia aprendeu pratos sozinho

O estudante de engenharia civil Bruno Alves Dal-Bó, de 21 anos, é apaixonado por cozinhar desde muito cedo. Segundo ele, quando tinha seis anos, fazia bolos junto com a mãe. “Minha vontade de cozinhar vem desde a infância. Cozinhava bolos com minha mãe, e depois sobremesas com minha madrinha. Mais tarde, comecei a cozinhar sozinho, fazer alguns almoços”, conta Bruno.


Segundo ele, a primeira comida refogada que ele lembra ter feito foi carne moída. “Depois, fui aprimorando e fazendo outras coisas, como diferentes molhos, sobremesas, bolos, tortas de aniversário, pratos especiais para o Natal. Hoje, tenho um molho que eu mesmo criei, o Spadina”, revela.


Além disso, o jovem se inspira em receitas do Masterchef, programa pelo qual é apaixonado. “Tenho, inclusive, vontade de fazer grastronomia, como hobby mesmo, já que adoro cozinhar para a minha família. No início, as pessoas até se assustavam com um menino tão pequeno fazendo pratos daquele jeito. Mas hoje já se acostumaram. E é gratificante ver que as pessoas gostam do que faço”, afirma.

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Tatiana Dornelles

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