Quando o pequeno Raul Cardoso da Silva, de seis anos, de Tubarão, pediu ao pai para fazer aulas de karatê inspirado no seu ex-professor de música, Deison Freitas - que morreu no início de abril vítima da covid-19 -, não imaginava que ganharia uma missão tão especial.
Raul e sua irmã, Lara, de oito anos, foram alunos de Deison e sentiam muita falta do professor. Então, o menino pediu ao pai, Paulo Fernando da Silva, que fosse fazer karatê na mesma escola que Deison fazia. Logo, os três se matricularam há um mês na Academia Valdir dos Santos, onde o músico fez aulas de karatê durante 15 anos.
O que eles não esperavam é que, na mudança de faixa de Raul, esta semana, ele fosse receber uma homenagem e uma missão ainda mais especiais. Após a morte de Deison, o irmão dele, Luiz Otávio Molon Ignácio - que também faz karatê na mesma academia -, decidiu doar o kimono do irmão para que o professor Valdir dos Santos fizesse o melhor uso dele. “Cheguei a usar o kimono em uma aula, como forma de homenageá-lo. Mas depois que o Raul entrou na escola com sua irmã e o seu pai, sabendo que a motivação para isso foi justamente o Deison, não tive dúvidas do destino que daria àquele equipamento tão especial”, conta Valdir.
Então, na mudança de faixa de Raul, o professor de karatê resolveu dar de presente ao menino o kimono de seu ex-professor de música e fonte de inspiração. “Dissemos a ele que agora sua missão será a de ser o guardião daquele equipamento tão significativo para todos”, pontua.
Para Paulo, pai de Raul, o presente foi, na realidade, para toda sua família. “Recebemos esta homenagem com emoção. Guardaremos com carinho esta lembrança do Deison, que sempre será especial para nós”, ressaltou.
Luiz Otávio diz que foi gratificante ver que um objeto que significou tanto para seu irmão agora terá um uso cheio de reconhecimento e carinho. “Foi emocionante saber que aquelas crianças têm no meu irmão uma inspiração. Isso deixa a memória dele viva”, disse.
Morte de Deison foi em abril
Deison Freitas, de 34 anos, era músico e professor de música e morreu no dia 7 de abril, após ficar internado por quase 20 dias devido a complicações com o coronavírus. Ele foi o primeiro morador de Tubarão a morrer em decorrência da covid-19. Deison era natural de Porto Alegre, mas veio morar em Tubarão aos 14 anos. No início de março, ele começou a se sentir mal, com fortes dores de garganta. Ele estava tratando uma amigdalite bem severa, que fez, inclusive, com que ele precisasse se afastar das aulas de música. A última aula que ele deu foi no dia 16, três dias antes de ir para a UTI.
Micheline Zim