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Entrevista: Dr. Vicente confirma pré-candidatura

14/08/2020 06:00

O pediatra dr. Vicente Corrêa Costa colocou seu nome à disposição como pré-candidato a prefeito de Capivari de Baixo.


O município, com quase 25 mil habitantes, elegerá seu próximo gestor no dia 15 de novembro, data oficial das eleições após a prorrogação devido à pandemia do novo coronavírus. Esta será a segunda participação na corrida eleitoral, já que em 2016 ele obteve 7.041 votos, correspondendo a 49,6% das intenções dos votos válidos.


O pré-candidato Vicente Corrêa Costa tem 35 anos, é médico pediatra, já trabalhou em Unidades de Saúde como médico da Estratégia da Saúde da Família em cidades como Capivari de Baixo, Sangão e Pescaria Brava. Também atuou em hospitais nos municípios de São Martinho, Armazém e Laguna. Tem pós-graduação em Medicina do Trabalho e já exerceu o cargo de gerente Regional da Saúde.


Vicente destaca que a experiência como médico da Estratégia da Saúde da Família o ajudou a ampliar sua visão sobre as necessidades da população e sobre como uma boa gestão pública pode resolver muitos destes problemas. Confira um mais pouco da história do pré-candidato em uma entrevista exclusiva ao Diário do Sul.

 

Diário do Sul – Esta é a segunda eleição que o senhor disputa. Na primeira, por muito pouco não se elegeu. Por que quer ser prefeito de Capivari de Baixo?

-Vicente: Primeiro, tenho um carinho especial por Capivari de Baixo, que é a cidade onde meus avós paternos e maternos moraram e onde meus pais nasceram. Meu pai passou num concurso público e foi transferido para Santa Rosa de Lima, em 1984, e nasci naquele município. Depois que me formei em Medicina, em 2009, fui trabalhar como médico na Unidade de Saúde da Família do bairro Caçador, em Capivari de Baixo. Foi no dia a dia atendendo à população que percebi que tinha vocação em solucionar os problemas vividos pelos meus pacientes. Tenho muita vontade de participar da vida pública, porque como médico vivenciei muitas situações na saúde, como a falta de planejamento na gestão. O contato direto com a população me fez enxergar as dificuldades que as pessoas passavam. Apesar de ter uma carreira de médico consolidada, quero exercer uma função pública, se assim o povo capivariense decidir. Quase cheguei lá na última eleição, e neste momento me sinto mais preparado para isso. Sou muito grato pela votação expressiva que recebi no último pleito eleitoral.


Diário do Sul – Como se preparou para enfrentar sua segunda pré-campanha, já que nesses últimos anos se dedicou à carreira de médico?

-Vicente: Depois da última eleição, retomei minha carreira de médico. Em 2017, exerci a função de gerente Regional de Saúde, que me deu uma experiência de administração pública bem considerável. Saí desta função para me dedicar à residência médica com especialização em pediatria, a qual precisa de dedicação exclusiva e integral. Retornei em 2020 para Capivari, retomei as minhas atividades como médico pediatra, onde atualmente atendo em uma clínica particular, em uma clínica de repouso com atendimento clínico a idosos em Tubarão, e em Pescaria Brava, como médico auditor, onde gerencio a aplicação dos recursos públicos para a saúde do município e também atuo na linha de frente no combate à covid-19. Desejo atrair a confiança das pessoas para acreditarem que se eu estiver à frente de uma administração pública serei uma pessoa desenvolvendo boas ações para a sociedade.


Diário do Sul – E quanto à saúde, como está a situação atual na cidade? Quais as maiores conquistas e o que ainda precisa ser feito?

-Vicente: Uma das minhas pretensões, se eleito, é resolver a questão da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) 24 horas. Hoje, funciona das 18h às 24h, de segunda a sexta-feira. A UPA precisa funcionar com atendimento médico de urgência e emergência, além de precisar ter exame laboratorial, eletrocardiograma e aplicação de medicação injetável, com atendimento de baixa complexidade. Precisamos reativar a ala pediátrica, tanto para intercorrências como para as consultas de rotinas de bebês e adolescentes, sem a necessidade de encaminhamento pela Unidade de Saúde. O município conta hoje com nove Unidades de Saúde (US) e duas extensões para atender a uma população de 25 mil habitantes. Há a necessidade de ser construído mais uma US, entre o bairro Caçador, Santa Lúcia e Três de Maio, pois a demanda da população é muito grande. Cerca de 49,6% da população recebe atendimento médico nestes três postos de saúde. E já tem o projeto concluído para atender a esta reivindicação com recursos do governo federal. Outra necessidade real de Capivari De Baixo é a contratação de mais médicos nas especialidades de: ginecologia/obstetrícia, psiquiatria, ortopedia, pediatria, cardiologia, geriatria. Também é preciso diminuir a fila da fisioterapia de reabilitação funcional pós-trauma. Investir em planejamento familiar viabilizando  métodos contraceptivos cirúrgicos, como vasectomia e laqueadura.


Diário do Sul – Quais seus planos e projetos para o futuro na política?

-Vicente: Nos últimos quatro anos eu mantive o foco na minha carreira de médico e na minha especialização, sem deixar de lado a política e as suas movimentações. Quero ter a oportunidade de administrar a cidade, se assim o povo de Capivari de Baixo decidir, e implementar ações que eu acredito serem possíveis de promover o desenvolvimento, crescimento e melhorar os serviços prestados pela prefeitura municipal. Na verdade, eu me sinto preparado para assumir a administração municipal pública, por conhecer as necessidades da população. Capivari de Baixo é um município jovem com muito potencial pela frente.


Diário do Sul – Na sua avaliação, qual ação a ser tomada para garantir o crescimento de Capivari de Baixo nos próximos anos, após um período de pandemia?

-Vicente: Capivari de Baixo tem o título de Capital Termoelétrica e tem problema de iluminação pública em algumas localidades. Parece mentira, mas é verdade. É preciso ampliar a rede de transmissão elétrica e fazer chegar energia a estas localidades que vivenciam esta situação. Há uma necessidade de investimento e ampliação da rede pública de energia, pois traz mais segurança. O Plano Diretor ficou pronto há pouco tempo e irá nortear o próximo gestor, porque mostra onde a cidade cresceu e se desenvolveu e o que pode ser feito nas áreas urbana e rural. É a base para se fazer qualquer projeto futuro, facilitando ao próximo gestor. É o pilar que dará a sustentação de crescimento e desenvolvimento, mostrando as áreas de preservação permanente. Capivari pode ser melhor, mais cuidada, precisa de boas ações do Poder Público. A população precisa ter uma autoestima mais elevada. Ações no urbanismo, como embelezamento, acessibilidade, ser mais bem cuidada, melhor sinalizada, são detalhes que por si só elevam a autoestima da cidade. Um dos potenciais econômicos de Capivari é o desenvolvimento imobiliário, a construção civil e a prestação de serviços. O Poder Público precisa fortalecer as características econômicas da cidade. Não é mais possível que uma empresa leve 60 dias para abrir, tem que incentivar a diminuição deste tempo e não atrapalhar a geração de emprego e renda.


Diário do Sul – Como médico e político, qual a sua avaliação sobre termos uma eleição no meio de uma pandemia?

-Vicente: Na minha opinião, não deveria ter eleição neste ano, acho que todos os esforços deveriam estar focados no combate ao novo coronavírus e na preservação dos empregos, da economia, nas questões sociais. Todos os esforços da administração pública e privada deveriam estar voltados no combate à covid-19. Mas respeitando a decisão dos poderes em manter uma democracia sólida, foi confirmada a eleição. Este é o momento de os eleitores estarem mais atentos às suas escolhas para o Poder Executivo e Legislativo, porque isso vai influenciar nas ações e na prestação de bons serviços públicos, o que impacta na vida das pessoas. É importante exercer o voto. Neste ano vai ser a eleição da cautela, já que vivemos tempos de distanciamento social. Vamos utilizar muito a tecnologia que temos disponível. Vamos seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde. Tudo é muito recente, nosso contato e conversa com os eleitores serão dentro das recomendações sugeridas.

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