Artigo escrito por Prof. Maurício da Silva – mestre em Educação e presidente da Fundação Municipal de Educação
As merecidas homenagens às mulheres no seu dia internacional, 8 de março, precisam ir além dos presentes, mensagens, flores etc. Precisam, também, lembrar o fato que originou a data, o que, por desconhecimento ou omissão, pode incentivar o que se deveria condenar.
O ocorrido no longínquo 8 de março, de 1857, precisa ser rememorado para não ser repetido. Ao reivindicarem melhores condições de trabalho (eram jornadas de dezesseis horas diárias, insalubridade, perigo e baixos salários), dezenas de mulheres foram trancadas e queimadas, ainda enquanto estavam vivas, na fábrica em que trabalhavam, em Nova Iorque.
Aquelas mulheres foram brutalmente assassinadas, não por serem mulheres, mas por se rebelarem contra a exploração no trabalho.
Esquecer aquele horrendo fato contribui para proteger os que exploram pessoas para obter lucro e matam as que resistem.
É fundamental lembrar que o homem, de forma geral, não desistiu de explorar o seu semelhante para obter lucro. Passados 164 anos do massacre daquelas mulheres e 133 anos da libertação dos homens e das mulheres negras que foram escravizados no Brasil para aumentar a lucratividade de alguns, o trabalho análogo ao trabalho escravo – que vitima homens e mulheres, negros e brancos – é notícia frequente, inclusive aqui em Santa Catarina.
E só não foi legalizado, por meio da portaria nº 1.129/2017, do Ministério do Trabalho, porque a ministra Rosa Weber, do STF, a suspendeu, após intensa pressão, inclusive internacional.
Esta portaria dificultava a fiscalização de critérios para definir o que vem a ser trabalho forçado, jornada exaustiva, condição degradante de trabalho, além de detalhar práticas que podem ser consideradas como retenção no local de trabalho e a divulgação de empresas com tais práticas.
Na mesma direção, a Reforma Trabalhista, aprovada no Congresso Nacional, recebeu protestos, inclusive da Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, que levou para a Avenida ‘os 130 anos da Lei Áurea’ e perguntou: “A escravidão acabou mesmo no Brasil?”.
Portanto, homenageamos a mulher no seu dia, todos os dias, das melhores e mais agradáveis formas possíveis, mas lembremos o fato que originou a data e envidemos esforços para superar, principalmente, a discriminação (em média, a mulher estuda mais que o homem, mas está em quantidade menor nos postos de chefia e recebe salários menores), a baixa representatividade política (constituem maioria dos eleitores, mas são eleitas poucas vereadoras, prefeitas, deputadas, senadoras, governadoras etc.) e a violência (o Brasil teve um aumento de 7,3% no número de casos de feminicídio em 2019 em comparação a 2018). Foram 1.314 mulheres mortas, média de uma a cada sete horas, segundo levantamento feito pelo G1 com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal.
Proteger as mulheres e ampliar suas conquistas também constituem formas de homenageá-las e contribuem, fundamentalmente, para melhorar a humanidade.