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Caso de jovem da região tem repercussão nacional

Matéria já havia sido publicada no DS no início do mês e foi notícia no Fantástico

15/09/2026 06:00|Atualizada em 16/09/2026 01:35|Por Redação

O caso de um jovem de Jaguaruna que afirma ter sido ameaçado, hostilizado e expulso de casa pelos pais após assumir um relacionamento homoafetivo ganhou repercussão nacional neste domingo. A história de Emanuel Roque foi apresentada pelo Fantástico, da TV Globo.

A Justiça catarinense condenou os pais do jovem ao pagamento de R$ 100 mil por danos morais após reconhecer abandono afetivo e violência psicológica relacionados à orientação sexual do filho. A decisão já havia sido noticiada pelo Diário do Sul no dia 4 de setembro.

Na reportagem exibida neste domingo, Emanuel contou detalhes da história. Ele tinha 17 anos quando começou a namorar Jonathas, colega de escola. Segundo o jovem, foi a partir do relacionamento que conseguiu compreender e aceitar a própria orientação sexual.

“Foi a primeira vez que eu me aceitei. Parece que saiu um peso das minhas costas”, relatou.

Emanuel afirma que os pais não aceitaram o relacionamento e que passou a sofrer ofensas e ameaças dentro de casa. Segundo seu relato, também foi pressionado a deixar o trabalho que mantinha com o pai e impedido de continuar frequentando a escola.

O caso chegou ao Conselho Tutelar e Emanuel acabou sendo acolhido em um abrigo municipal, onde permaneceu por quase um ano. À reportagem, ele descreveu o local como fundamental para reconstruir sua vida.

“Foi o lugar que eu fui mais acolhido na minha vida. Foi a minha casa”, afirmou.

Vida nova   

Atualmente, Emanuel vive no Rio Grande do Sul com Jonathas e a família do namorado. Apesar do rompimento, diz que ainda espera reconstruir a relação com os pais.

“Eu sei que um dos princípios de Jesus, de Deus, é o perdão. No momento em que eles me pedirem perdão e eu perdoar, e a gente voltar a ser uma família, tudo vai ficar bem. Eles sempre vão ser os meus pais”, disse.

Os pais, Iremar Roque e Terezinha Aparecida da Silva Roque, negam as acusações. A decisão judicial ainda pode ser objeto de recurso.

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Justiça reconheceu abandono afetivo pelos pais

A condenação dos pais de Emanuel Roque ocorreu em uma ação proposta pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A Justiça reconheceu abandono afetivo e violência psicológica relacionados à orientação sexual do jovem e fixou indenização de R$ 100 mil por danos morais.

Conforme documentos reunidos no processo, Emanuel deixou a residência da família depois de revelar sua orientação sexual. O caso envolveu relatos de ameaças, mensagens ofensivas e exposições públicas atribuídas aos pais, levando à intervenção do Conselho Tutelar e ao acolhimento institucional do jovem em agosto de 2025.

Uma perícia psicológica apontou ambiente familiar marcado por negligência afetiva, comportamento autoritário, violência psicológica e rejeição relacionada à orientação sexual. O laudo também identificou consequências emocionais, como sentimentos de abandono, rejeição e insegurança afetiva.

Além da indenização, a sentença manteve a proibição para que o pai publique, nas redes sociais ou em outros meios, conteúdos sobre a vida privada do filho, sua orientação sexual ou o período em que permaneceu em acolhimento institucional. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de R$ 2 mil.

Segundo o promotor de Justiça Tito Gabriel Cosato Barreiro, da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Jaguaruna, a decisão não estabelece uma obrigação de amar, mas reafirma o dever legal dos responsáveis de cuidar e proteger os filhos.

Para o MPSC, crianças e adolescentes têm direito a um ambiente livre de violência psicológica, discriminação e abandono, independentemente da orientação sexual ou identidade de gênero.

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