Psicóloga explica como necessidades afetivas podem favorecer a dependência
A necessidade de amar e ser amado faz parte da condição humana. No entanto, quando carências emocionais acumuladas ao longo da vida passam a influenciar escolhas, comportamentos e relacionamentos, elas podem contribuir para vínculos marcados por dependência, frustração e sofrimento.
Segundo a psicóloga Janira dos Santos Lima Barbosa, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Terapia do Esquema, muitas pessoas carregam padrões emocionais construídos ainda na infância e adolescência que continuam influenciando a forma como se relacionam na vida adulta. “Todos nós possuímos necessidades emocionais básicas, como afeto, acolhimento, proteção, validação e compreensão. Quando essas necessidades não são adequadamente atendidas, podem surgir padrões emocionais que impactam significativamente os relacionamentos”.
Terapia
Na Terapia do Esquema, esses padrões são conhecidos como esquemas iniciais desadaptativos. Um dos mais frequentes é o esquema de privação emocional, caracterizado pela crença de que o afeto, o cuidado e a compreensão desejados nunca serão plenamente recebidos.
De acordo com a psicóloga, pessoas que apresentam esse padrão costumam conviver com uma sensação persistente de vazio emocional, mesmo quando estão cercadas por familiares, amigos ou parceiros. Como consequência, podem buscar nos relacionamentos uma tentativa de preencher necessidades afetivas antigas.
“Muitas vezes, a pessoa faz esforços excessivos para agradar, aceita relações insatisfatórias ou desenvolve dependência emocional na expectativa de receber do outro aquilo que sente ter faltado ao longo da vida”, observa.
Autoconhecimento é uma ferramenta importante
O desafio, segundo a psicóloga Janira Barbosa, é que nenhum relacionamento é capaz de reparar sozinho feridas emocionais construídas durante anos. Quando essa responsabilidade é depositada integralmente no parceiro, tornam-se mais frequentes as cobranças, as frustrações e os conflitos.
Por isso, o autoconhecimento é apontado como uma das principais ferramentas para interromper ciclos repetitivos. Ao compreender seus padrões emocionais, a psicóloga explica que a pessoa passa a reconhecer comportamentos que se repetem e desenvolve formas mais saudáveis de atender às próprias necessidades afetivas. “Ser amado é uma necessidade legítima e natural. Porém, aprender a acolher a si mesmo, reconhecer o próprio valor e construir vínculos baseados na reciprocidade permite que a busca por amor se transforme em uma experiência mais equilibrada, consciente e verdadeira”, conclui a psicóloga.
Janira dos Santos Lima Barbosa é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, Terapia do Esquema e Psicologia Jurídica, atuando em Tubarão com foco no desenvolvimento emocional e na promoção de relacionamentos mais saudáveis.