Sábado, 11 de julho de 2026
Fechar [x]

Artigo: Recomposição das aprendizagens

21/06/2022 06:00

Maurício da Silva

Presidente da Fundação Municipal de Educação


A crise na aprendizagem é anterior à pandemia de covid-19. Os investimentos na educação aumentam, segundo o Tribunal de Contas, mas não impactam no aprendizado dos estudantes, conforme o Ideb.


Esta crise foi agravada, no ano de 2020, quando as escolas foram fechadas para evitar a proliferação do vírus. O ensino remoto reduziu danos na aprendizagem dos estudantes que contaram com internet e ajuda das famílias, mas foi irremediavelmente prejudicial para os que não tiveram estas possibilidades. Muitos esqueceram o que tinham aprendido.


Tal desigualdade de oportunidades de aprendizagem permaneceu no ano de 2021, mesmo com a retomada das aulas presenciais. Ainda em pandemia, muitos estudantes permaneceram estudando em casa, por recomendação médica ou opção dos pais. Outros, uma semana na escola e outra em casa e muitos outros, todos os dias na escola.


No segundo semestre de 2021, todos os estudantes estavam na escola, mas a sala de aula ficou mais complexa, devido ao aumento dos desníveis de aprendizagem, ao luto (muitos estudantes perderam pessoas próximas), ao agravamento das dificuldades financeiras (muitos pais perderam o emprego e ainda não recuperaram) e à ansiedade e depressão (causadas por todos esses motivos, somados ao isolamento social e possíveis violências).


Como consequência, muitos estudantes não tiveram oportunidade para consolidar o aprendizado dos conteúdos estruturantes (ler, escrever, interpretar textos e resolver problemas com as operações básicas de matemática) e, sem eles, não aprenderão os conteúdos subsequentes. A consequência será a reprovação, que não contribui para que os estudantes “fiquem mais fortes”, como demonstram pesquisas do Saeb e se constitui na principal causa intraescolar de evasão, cujos prejuízos são pagos pela sociedade, por meio de mais impostos, que os governos precisam para auxiliá-los.


Mas ao aprendê-los (conteúdos estruturantes) e providos de ferramentas on-line ou impressas, os estudantes aprenderão o que quiserem, no momento que precisarem. Para isso, a Fundação Municipal de Educação aprimora, como os professores, práticas do projeto “Sucesso Na Escola, Na Vida e No Trabalho” que contribuem para eficácia da recuperação, do reforço no contraturno e da ajuda das famílias. Assim, é preciso:


1) Acolher, escutar e conversar muito com estudantes e famílias, principalmente, sobre a importância dos estudos;


2) Prosseguir o “monitoramento diário” das faltas, chegadas tardias do estudante e não realização das tarefas de casa e encaminhar, imediatamente, via Educa Web, para as providências da direção da escola e da equipe multiprofissional. Isso é decisivo para fortalecer o vínculo do estudante com a escola;


3) Melhorar o diagnóstico da aprendizagem de cada estudante, sem o qual a recuperação, o reforço no contraturno e a ajuda da família não refletirão na melhoria da aprendizagem. Isso requer, nas avaliações, “questões descritivas em maioria sobre as de assinalar” e “identificação da causa do erro”.  


4) Priorizar, em todas as disciplinas, os mencionados conteúdos estruturantes. Para isso, interdisciplinaridade engaja o estudante e trabalho diversificado e monitoria impulsionam o aprendizado.


É o caminho para travessia da dependência para a autonomia dos educandos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Quer receber notícias de Tubarão e região? Clique aqui.
Diário do Sul
Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR