Projeto Segurança para Todos | Combemtu
Cíntia Nowasco | Psicóloga
Sabe aquela frase “violência gera violência”? Guarde-a até o fim deste texto. Antes, quero convidá-lo a refletir.
Segundo a Ouvidoria dos Direitos Humanos, diariamente 233 crianças e adolescentes sofrem agressões, sendo grande parte dentro de suas casas. Locais estes que deveriam proteger, amparar e dar subsídios para um desenvolvimento saudável.
Quando há violência dentro de casa, todos são afetados. Quando tentamos resolver uma situação com agressão, xingamentos, ofensas, ameaças e/ou gritos, estamos ensinando nossos filhos que é através de violência (seja ela verbal, psicológica ou física) a forma de resolvemos algo, pois somos os adultos referência para eles.
Quem nunca viu um filho reproduzir a fala do pai? Ou o imitar trabalhando? Quem nunca viu uma criança brincar de escolinha e ensinar como o seu professor faz? São nessas situações que observamos o quanto de nós tem nas nossas crianças e adolescentes. E quando eles agridem alguém, os repreendemos. Mas não refletimos sobre a causa desse comportamento violento.
Se queremos uma sociedade mais justa, menos violenta e com menos criminalidade devemos começar pela nossa casa, por nós mesmos.
Podemos começar mudando pequenas atitudes. Perguntar como foi o dia das nossas crianças e adolescentes, quais momentos foram mais legais ou mais chatos, não diminuir suas angústias e preocupações, afinal, a preocupação de adulto é diferente da preocupação deles. Se cair e chorar, não iniba o choro. Deixe. Doeu, sabia? E não há mal algum chorar. Valide as emoções das crianças e dos adolescentes, pois eles terem esse misto de sentimentos mostra que são seres humanos e que precisam de afeto, atenção e orientação.
Caso esteja cansado, sem disposição para brincar ou conversar, explique isso aos seus filhos. Faça-os entender que este momento é seu e que você precisa descansar. Pode ser difícil no início, você ficará impaciente às vezes, mas com o tempo essa será uma atitude e um comportamento corriqueiro em sua casa. Acredite, eles terão essas ações suas como referência.
Se “violência gera violência”, diálogo gera diálogo, gera mais amor, harmonia, respeito... Gera uma sociedade saudável que protege, ampara, zela não só pelas nossas crianças e adolescentes, mas sim por todos que dela fazem parte.