Aos 16, Rafael irá às urnas pela primeira vez; aos 87, a avó Martha não abre mão de participar das escolhas do país
Entre o primeiro voto de Rafael Aguiar e os muitos já dados por sua avó, Martha Zumblick Aguiar, há 71 anos de diferença. O que une os dois tubaronenses é justamente aquilo que nenhum deles é obrigado a fazer: votar.
Aos 16 anos recém-completados, Rafael irá às urnas pela primeira vez nas eleições deste ano. Aos 87, Martha poderia ter deixado de comparecer há anos, já que o voto é facultativo para maiores de 70. Mas a professora aposentada, que lecionou Geografia e vota desde os 18 anos, não pretende abrir mão desse direito enquanto puder exercê-lo.
“Enquanto eu puder, vou votar. É um direito que foi conquistado com muita luta”, afirma Martha.
Para ela, votar está entre os direitos mais importantes do cidadão, por permitir que cada pessoa manifeste sua opinião sobre os rumos do país, seja para escolher uma mudança ou demonstrar aprovação à continuidade de um governo.
A relação de Martha com esse direito ganha ainda outro significado por ela ser mulher. Ela considera a conquista do voto feminino um dos marcos mais importantes da luta das mulheres por participação na sociedade, por ter garantido voz em decisões das quais, durante muito tempo, estiveram excluídas.
E agora ela vê o início dessa história em outra geração da própria família, o neto Rafael. Ele cursa o primeiro ano do ensino médio e conta que a vontade de votar começou muito antes de ter idade para chegar à urna. Desde criança, acompanhava os pais nos dias de eleição e esperava pelo momento em que também pudesse participar.
Quando chegou a sua vez, não quis esperar pela obrigatoriedade. Assim que pôde, fez questão de tirar o título. “Desde pequeno eu ia com meus pais votar e sempre tive muita vontade de fazer isso também. Acho importante poder ter voz e escolher quem vai governar”, conta.
Orgulho
A decisão é motivo de orgulho para Martha, que vê na disposição do neto um sinal de que os jovens estão mais informados e interessados em fazer sua voz ser ouvida. E a admiração atravessa as gerações nos dois sentidos: Rafael diz sentir orgulho da avó que, aos 87 anos, continua fazendo questão de participar das eleições e contribuir com aquilo que acredita ser melhor para o país.
No dia da eleição, nenhum dos dois será obrigado a comparecer. Mas, separados por 71 anos e unidos pela mesma família, avó e neto já fizeram a primeira escolha: os dois querem votar.