O sorriso revela a felicidade em fazer parte da escolinha de futebol do time de coração. Há cerca de dois meses, Luiza Nunes Guimarães, de 11 anos, tem a chance de se aperfeiçoar no esporte que tanto gosta, deixando pra trás o preconceito e servindo de exemplo para muitas outras meninas.
A escolinha de futebol do Hercílio Luz conta com cerca de 150 crianças. Apenas seis delas são meninas. E entre elas está Luiza. A paixão pelo Hercílio surgiu por influência dos pais, que nutrem um apreço pela equipe tubaronense. A mãe de Luiza, Thalita Ribeiro Nunes, sempre morou perto do estádio Aníbal Costa. O pai, Cristiano Guimarães Rodrigues, também é entusiasta do Leão. “Foi o futebol que me escolheu. Cresci brincando com bonecas, mas também brincava de bola. Tanto que sempre vou às partidas com meus pais e meu irmão”, conta a menina.
A mãe relata que Luiza sempre gostou de bonecas, maquiagens e vestidos de princesa. “Mas, ao mesmo tempo, ela prendia o cabelo e saía chutando bola pelo quintal. Confesso que no começo relutei um pouco. Existe muito preconceito por meio de familiares e amigos. Mas com o tempo vi que essa era a essência dela e relaxei. Nada melhor do que fazer o que se ama”, explica Thalita, orgulhosa com as conquistas da filha.
Mesmo praticando um esporte ainda predominantemente masculino, a adolescente não se deixa levar pelas brincadeiras maldosas que podem surgir entre as jogadas. “Quando erro algum passe, às vezes escuto algumas risadas, mas não ligo. Sei que dou o máximo a cada treino”, revela.
Apoio e amor incondicional
Segundo a mãe, a paixão da menina pelo futebol começou quando ela tinha quatro anos de idade. “Procuramos uma escolinha após a insistência de amigos que têm experiência com o esporte. Após a verem brincando, sempre falavam que a gente não tinha ideia do tesouro que tínhamos em casa”. Uma das inspirações de Luiza no esporte é a atacante Marta, da Seleção Brasileira.
Com uma vida inteira pela frente, Luiza ainda não decidiu a profissão que vai seguir no futuro. Mas sabe que, independentemente do que escolher, vai encontrar dentro de casa o apoio para brilhar em qualquer carreira. “A gente se orgulha muito dessas habilidades que ela desenvolveu praticamente sozinha. Nos amistosos, eu e meu marido torcemos e gritamos muito no alambrado. Ela morre de vergonha, e a gente, de orgulho”, ressalta Thalita.
Guilherme Corrêa