É do bairro Santo André, em Capivari de Baixo, uma das novas promessas do kickboxing no Estado. Aos 11 anos, Keyla Martins conquistou uma medalha de ouro no último fim de semana e agora se prepara para o campeonato brasileiro da modalidade.
A competição acontece em setembro no Rio de Janeiro e, até lá, a adolescente segue focada na missão de crescer no esporte, pelo qual se apaixonou há alguns anos. A maior influência dela no kickboxing é um dos oito irmãos, o Natanael, que já pratica a arte marcial. “Eu sempre assistia ele treinando e o professor me chamou para treinar também. Vimos que eu tinha jeito para o esporte e segui lutando, até que o professor comentou sobre o campeonato catarinense”, conta Keyla. O catarinense foi a primeira competição dela e, de cara, a garota já voltou para casa com um ouro.
Por conta do campeonato, os treinos foram realizados de segunda a sexta. Keyla participa do projeto social realizado em Capivari pelo professor faixa marrom de kickboxing, Leonardo Mendes. “Ela é uma menina ativa, está sempre brincando, mas também é dedicada. Já treinei muito adulto que não tem o mesmo foco e a mesma coragem da Keyla”, explica o professor.
A mãe Ruth, que trabalha como faxineira, também acompanha os passos largos que a filha tem dado no esporte. “Tenho o apoio da família e dos amigos e sempre gostei de esportes em geral, da educação física na escola e de jogar futebol. E como somos em muitos irmãos, sempre brincamos bastante”, ressalta Keyla. Quando questionada se ela pretende seguir no kickboxing, a adolescente responde sem hesitar: “Com certeza, sei que me encontrei no esporte e pretendo continuar e me dedicar ainda mais”.
“FADINHA” É INSPIRAÇÃO
É de casa, pela televisão e pela internet, que Keyla acompanha as estrelas dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Entre os atletas preferidos da adolescente, está a também jovem Rayssa Leal, a Fadinha do Skate, que conquistou uma medalha de prata histórica. “Inspiro-me muito nela. É legal ver uma menina tão nova já conquistando vitórias importantes, coisa que muito marmanjo ainda não conseguiu”, aponta Keyla. “Assim como a Rayssa, também sonho em um dia competir em grandes eventos, nacionais e internacionais, e ser reconhecida pelo kickboxing”.
O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou, em junho deste ano, o reconhecimento e a filiação da WAKO (World Association of Kickboxing Organizations) como membro oficial após um longo processo, que durou cerca de 25 anos. Agora, a entidade passa a integrar de forma definitiva o quadro de membros filiados e, no futuro, o kickboxing também poderá integrar o movimento olímpico. Uma conquista e tanto para quem batalhou durante tanto tempo para colocar o esporte no patamar atual. Além do kickboxing, o cheerleading, conhecido como “animação de torcida”, também foi reconhecido pelo COI.