Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
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RAMIRES LINHARES

15/01/2026 06:00

Mundo líquido

Bom dia, boa tarde, boa noite, conforme a ocasião.

Estou relendo “A modernidade líquida”, livro do filósofo moderno Zygmunt Bauman, onde ele formula o seu famoso conceito sobre a fluidez, transitoriedade e instabilidade da sociedade contemporânea. Estes nossos tempos em que nada parece feito para durar.

Se antes as estruturas eram estáveis, como trabalho, família, identidade, valores, na modernidade líquida tudo se torna flexível, provisório e mutável. As relações escorrem entre os dedos, os vínculos são frágeis, os compromissos curtos, num cenário em que os indivíduos precisam se “reinventar” o tempo todo.

Bauman identificou isso já se vão 25 anos, mas talvez estejamos hoje na melhor época de comprovar a teoria. Nesta época em que deixamos o café esfriar enquanto esquentamos o dedo na tela do celular, rolando a vida dos outros para cima, como quem passa páginas sem ler.

É assim a tal modernidade líquida: nada fica parado tempo suficiente para criar gosto. As notícias evaporam, as opiniões mudam de roupa todo dia e as pessoas viraram “stories” de alguns segundos, que temos que ver rápido, antes que desapareçam.

No lugar cada vez mais predileto das pessoas, as redes sociais, todo mundo parece feliz, ocupado, interessante. Ninguém se mostra no intervalo, no vazio, na parte sem graça. A vida precisa escorrer rápido, como água entre os dedos. 

Compromisso dá trabalho. Silêncio dá medo. Permanecer virou coisa antiga. Amizade virou botão. Afeto, uma figurinha. Discussão profunda, texto grande demais para ler. É mais fácil deslizar do que encarar. E assim a gente vai trocando conversas por notificações, presença por visualização.

Bauman diria que nada disso é por acaso. Num mundo líquido, quem para afunda. Por isso a pressa, a ansiedade de estar em todos os lugares sem realmente estar em lugar nenhum. A gente se conecta o tempo todo, mas se encontra cada vez menos, como eu já disse aqui.

Talvez o verdadeiro ato de resistência hoje seja simples: deixar o celular de lado, terminar o café quente, ouvir alguém até o fim. 

Mas não está fácil criar raízes num mundo que virou correnteza...


Grama
Sabe por que a grama do vizinho é bacana? Porque ele cuida do que é dele em vez de cuidar do que é dos outros.

Suficiente
Dizem que os grandes chefões da máfia italiana têm um lema, mais ou menos assim: Se ninguém te vê como inimigo, você não é temido o suficiente. Se ninguém te vê como ameaça, você não é forte o suficiente. Se as pessoas não falam sobre você pelas costas, você não está fazendo o suficiente. 

Coisar
A gente precisa parar de tentar discoisar as coisas que estão coisadas. Não sei se você já notou, mas toda vez que a gente vai tentar discoisar uma coisa, acaba coisando outra coisa.

Disco
A vida é como um disco de vinil com a música da Xuxa. Tem que tocar pra frente, porque se tocar ao contrário, chama o coisa ruim.
 

Richard
O odontólogo e destacado atleta Richard Viana Corrêa, celebrando idade nova hoje. Parabéns., maninho.
 

Geraldo Brasil
Em recente solenidade na prefeitura de Capivari de Baixo, a presidente da Academia Tubaronense de Letras, professora Marilene Lapolli, o colunista e a viúva do saudoso escritor Geraldo Brasil, dona Neide de Araújo Brasil, junto com o filho Fernando e a neta Alice, que foi a inspiração de Geraldo para o livro “Redescobrindo os encantos da vida”.
 

Farofada
A 3ª Farofada dos Vizinhos, realizada na Praia do Mar Grosso, em Laguna, que promoveu o encontro de famílias de Orleans, Braço do Norte, Laguna, Florianópolis e Tubarão, celebrando boas e fraternas amizades.
 

Churrasco
Rapaziada boa, reunida no principado do Humaitá de Cima, para um churrasquinho de leve.


Frase solta, que deveria estar presa:
“Não levante sua voz. Melhore seu argumento”.

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