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RAMIRES LINHARES

07/05/2026 06:00

A estupidez humana

Bom dia, boa tarde, boa noite, conforme a ocasião.

Carlo Cipolla, historiador italiano nascido em 1922, foi um escritor de relativo sucesso, com mais de 20 obras. Em um de seus livros, um ensaio pequeno, quase tímido, Cipolla estabelece lições perigosamente perspicazes sobre por que o mundo, às vezes, parece tão difícil de entender. A obra foi publicada em 1976 e se chama “As Leis Fundamentais da Estupidez Humana”.

Com a elegância de quem sorri enquanto diz verdades incômodas, Cipolla propõe cinco leis. Não são leis no sentido jurídico, são daquelas coisas que a gente não nota, até que alguém nos mostre.

A 1ª lei é: sempre subestimamos o número de pessoas estúpidas. Trata-se de um puxão de orelha coletivo. A gente costuma supor que erros graves são raros ou exceções, mas na prática aparecem nos mais diversos lugares, em decisões simples do dia a dia, cometido por cada vez mais estúpidos. E quando subestimamos a frequência de algo, ficamos desprotegidos.

A 2ª lei é: a probabilidade de uma pessoa ser estúpida independe de qualquer outra característica. A estupidez não escolhe classe social, diploma ou cargo. Ela circula com desenvoltura entre terno e gravata, uniforme, jaleco, guarda-pó. É uma visitante que não pede currículo para entrar.

A 3ª lei é reveladora: o estúpido causa dano aos outros sem obter benefício e frequentemente se prejudica. Sabe aquele sujeito que, ao “ajudar” numa tarefa simples, desorganiza tudo, quebra o que estava funcionando e ainda pergunta, com sinceridade: “Mas não ficou melhor assim?”

A 4ª lei explica muita coisa: pessoas não estúpidas subestimam o poder destrutivo dos estúpidos. A gente acredita, lá no fundo, que todo mundo age por algum motivo lógico. Mas o comportamento estúpido não tem compromisso nem com o próprio interesse, e é aí que mora o perigo.

A 5ª lei fecha a conta com desconforto: o estúpido é mais perigoso que o bandido. O bandido, ao menos, quer ganhar alguma coisa. Já o estúpido pode causar prejuízo gratuito, sem estratégia, sem aviso e sem possibilidade de negociação. É o caos sem intenção, e justamente por isso, mais difícil de evitar.

É só prestar atenção no nosso cotidiano, que vamos notar essas leis por aí, sendo provadas todo santo dia, surgindo sem placas ou avisos. Elas se manifestam discretamente no motorista que trava o trânsito para “ganhar dois segundos”; no colega que complica o que era simples; no cidadão que defende com convicção inabalável algo que claramente o prejudica.

Mas antes de tentarmos identificar os estúpidos nos outros, melhor mesmo é reconhecer, com bom humor e vigilância, quando estamos prestes a ocupar esse papel, pois o risco maior não é conviver com a estupidez, é acreditar que estamos imunes a ela.


Papo na academia
- E daí, beleza?
- Tudo certo! Posso te fazer umas perguntas?
- Pode.
- Tu bebes álcool e come comida gordurosa?
- Sim, todo dia.
- Vamos começar a mudar isso então?
- Eu não!
- Então veio fazer o que aqui na academia?
- Consertar o ar-condicionado...

Papo de amigo
- Mas o teu marido é meu amigo.
- Mas é meu esposo!
- Mas eu conheço ele há mais tempo...
- Mas eu o conheço melhor.
- Ah, é? Então como é o nome da amante dele?

Importante
Não me importo mais em sair bem nas fotos. Se sair bem nas ressonâncias e nas radiografias já me sinto tranquilo.
 

Mérito educacional
Por indicação do conselheiro Felipe Felisbino, o Conselho Estadual de Educação de Santa Catarina entregará na próxima semana o diploma de Mérito Educacional Catarinense à professora e escritora tubaronense Jussara Bittencourt de Sá. Sem dúvidas, de grande merecimento a homenagem. 
 

Seminário
Numa promoção da Câmara Técnica de Comunicação da Amurel, que reúne assessores de imprensa dos municípios da região, aconteceu, na terça-feira, o Seminário de Comunicação Pública, com importantes palestras e debates sobre comunicação pública. Parabéns à jornalista Daiane Fernandes, coordenadora da Câmara, e a todos os organizadores pelo sucesso do evento. 
 

Minha Dica de leitura

Marilene Lapolli 
Professora e escritora

Sou Marilene da Rosa Lapolli, professora universitária nas áreas de Filosofia, Sociologia e Ética, atualmente aposentada. Escritora e membro da Academia Tubaronense de Letras, ocupante da cadeira 30, atual presidente. Escrevo sempre com os eixos epistemológicos de minha formação, continuando a trajetória existencial na busca de contribuir através de meus textos, que as pessoas se tornem melhores na dor, melhores no amor, melhores em tudo, como diz a música “Dias Melhores”, do grupo Jota Quest.
Para internalizarmos a possibilidade de uma vida virtuosa e consequentemente mais feliz e serena, deixo aqui a dica de leitura do clássico Epicteto, que, ao meu ver, deveria ser um livro de cabeceira para todos os jovens e adultos das mais diversas faixas etárias. “A Arte de Viver” é um manual clássico da virtude, felicidade e sabedoria, fundamentado no Estoicismo, corrente filosófica atualíssima para uma reflexão neste contexto contemporâneo de superficialidades e imediatismos. Que a sabedoria dos estoicos oriente o leitor a viver e conviver focado no bem, no bom e no belo. 

Frase solta, que deveria estar presa:
“Imagina se o dono da cafeteria desistisse só porque todo mundo tem café em casa.”

Diário do Sul
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