Flávio Bolsonaro fez dois milhões a mais de votos que Lula no primeiro turno. A essa diferença, era para se somar os votos da maior parte dos eleitores que votaram em Caiado, Zema, Augusto Cury e Renan Santos. Com eles, as pesquisas deveriam mostrar uma boa vantagem de Flávio. Mas elas indicam empate técnico, o que pressupõe uma eleição acirrada.
Todos acompanharam: na primeira semana de campanha, neste segundo turno, Flávio já se considerava eleito, dizendo que iria mudar a Constituição, aumentar seu mandato, reformar a Justiça. O cheiro de vitória logo atraiu o apoio dos vários partidos de centro, enquanto a esquerda fazia reuniões com clima de velório e troca de acusações mútuas pela derrota.
Na segunda semana, Lula ampliou sua presença nas redes sociais. A censura do TSE ao seu canal no WhatsApp foi polêmica – e, na internet, isso favorece muito o engajamento. Os jovens ocuparam as ruas, espaço que o PT tinha perdido desde o desmonte do movimento sindical, feito pela reforma trabalhista de 2017, quando Michel Temer era o presidente da República.
Houve também o pacote de bondades de Lula, que deveria ser proibido aos políticos em véspera de eleição. Mas é preciso lembrar que medidas populistas também foram usadas por Jair Bolsonaro em 2022. O Bolsa Família foi reajustado na época em 50%, e foi dado a cada caminhoneiro e taxista R$ 1.000 por mês, entre julho e dezembro daquele ano eleitoral.
Esta terceira e última semana começou pelo debate de ontem à noite, o primeiro de toda a campanha. O impacto do fim da escala 6x1 no voto dos indecisos será medido nas pesquisas a serem divulgadas no decorrer desta semana. E o debate na Globo fecha a campanha sendo, mais uma vez, decisivo. No final, vence a eleição quem errar menos nestes últimos dias.