Ouso dizer que a obra de Deus está incompleta em alguns aspectos:
Algumas coisas bonitas deveriam ter um odor. Por que o arco-íris, por exemplo, só impressiona a nossa visão? Não podemos tocá-lo, ouvi-lo, nem tampouco cheirá-lo.
Não é uma frustração? E o pote de ouro que dizem estar lá ao seu pé? Não conseguimos achá-lo, pois, quando vamos até lá, ele não está mais ali.
Também Íris, a bela mensageira da deusa Juno, que caminha no céu por sobre o arco, não foi mais vista naquele lugar.
Voltando aos odores, o vermelho do arco-íris deveria ter o perfume do cravo. O amarelo, do jasmim; o verde, o perfume másculo do limão; o rosa, o suave olor da rosa, é claro. O violeta, da lavanda. O delicado azul, o da cravina, e o exclusivo laranja, o da perfumada frésia.
Imagine-se um amálgama de todos estes perfumes. Seria o eflúvio dos deuses!
Por que a arara não é perfumada?
Por que o ipê florido não tem odor?
Por que o luar não é oloroso?
Que bom se assim fosse para aqueles privados da visão!
Vamos dar asas à imaginação e sentir também o odor do que é belo: o pôr-do-sol, o cacho de uvas, o sorriso de um neném.
Assim, teremos mais um motivo para curtir a vida neste planeta tão abundante em coisas bonitas.