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22/12/2018, 06:00

Paixão pelo Hercílio Luz une gerações


Guilherme Simon 
redacao@diariodosul.com.br
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Créditos: Guilherme Simon/DS

A paixão de Vicente Enzo Attanasio Neto pelo Hercílio Luz está no nome. O avô dele, também Vicente, foi quem começou a torcer pelo colorado, na década de 50, quando veio morar em Tubarão. O patriarca era italiano e se mudou para o Brasil durante a Primeira Guerra Mundial. Muitos anos depois, o fanatismo pelo Leão do Sul continua vivo na família.

“O meu avô era recém-nascido quando veio para o Brasil, fugindo da guerra. Primeiro, para Santos, em São Paulo. Depois, durante a Segunda Guerra, como ele era italiano, foi chamado para lutar na África. Lá, ficou ferido e retornou ao Brasil, mas dessa vez acabou vindo para Tubarão. Aí começou a relação com o Hercílio Luz”,  conta Vicente, o neto.

Hoje, com 26 anos, Vicente Neto é vice-presidente da torcida organizada Império Vermelho, e não falta a uma partida do Leão no Aníbal Costa, mesmo morando em Imbituba. “Meu avô se mudou para cá depois da enchente de 74, em Tubarão. Nasci aqui, onde moro até hoje, mas isso não me impediu de torcer pelo Hercílio Luz”, diz Vicente. Sempre que pode, ele também acompanha o time do coração nos jogos fora de casa.

Foi nas arquibancadas do Estádio Aníbal Torres Costa, no entanto, que o amor pelo Leão do Sul começou a ganhar força. “O meu pai, que também é hercilista, foi quem me levou pela primeira vez ao estádio, logo depois que o time retornou aos gramados, após se licenciar. Foi então que comecei a me envolver mais”, relembra o torcedor.

Dos anos empurrando o Hercílio em busca do tão sonhado retorno à elite, um jogo, em especial, ficou marcado na memória de Vicente. “Em 2011, em Ibirama, quando nos tiraram o acesso (um erro grotesco de arbitragem prejudicou o Leão naquela oportunidade), foi algo que me marcou muito. Mas serviu pra ver como é o futebol”, comenta.

Em 2017, ele pôde, finalmente, comemorar a volta à Série A do Catarinense. “Foi fantástico, algo que a gente esperou muito. Passamos muitos anos sofrendo. Essa diretoria, com os pés no chão, fez um trabalho para subir na hora certa e alcançar os objetivos. É emocionante ver um time que já deu tantas alegrias para a cidade proporcionar isso também para os mais novos”, relata.

Seu Vicente, o avô, quem começou a história da família com o Leão, não acompanhou as últimas vitórias do time. Ele morreu em 1999, aos 86 anos. Mas o neto espera manter a tradição colorada viva ainda por muito tempo, sem esquecer.


Alegria no centenário e desejo de protagonismo

E por falar em tradição, ao ver o Hercílio Luz completar 100 anos, o sentimento de Vicente é de alegria em dose dupla. Primeiro, pelo aniversário longevo do clube, e, em segundo lugar, pelo momento que o time atravessa. Para os próximos anos, o desejo é que o crescimento não pare.

“É uma emoção muito grande, principalmente porque são poucos os clubes que têm tanta história, é um time que já foi protagonista, foi o primeiro catarinense a viajar de avião e a disputar uma partida fora de Santa Catarina. O meu desejo é que o time continue agregando às pessoas. Acho que está no caminho certo para voltar a ter protagonismo no Estado. É isso que eu espero para o Hercílio nos próximos anos”, revela.


Torcedor relembra emoções com o Leão

Aldo Aleixo já é visto como uma figura clássica no Hercílio Luz. O torcedor, de 77 anos, ajuda nas tarefas fora de campo e guarda na memória momentos marcantes do clube centenário.

Aleixo começou a frequentar o clube para jogar. Ele tinha 17 anos quando ingressou na categoria que, à época, era chamada de “aspirante”. Treinou por algum tempo, mas acabou deixando o futebol. Pelo menos como jogador.

A proximidade com o Hercílio Luz continuou e, como torcedor, Aleixo acompanhou a maior façanha do Leão do Sul ao longo dos 100 anos de existência: o bicampeonato catarinense nos anos de 1957 e 1958.

“A gente foi para Florianópolis de caminhão. Foi uma viagem sofrida, levava muito tempo para chegar à capital naquela época. Mas, na volta, estávamos tão empolgados com a vitória que nem percebemos a demora. Quando a gente viu já estava em Tubarão”, relembra Aleixo, sobre o primeiro título do Leão, em 57.

O Leão do Sul levantou a taça naquele ano após vencer por 2 a 0 o Atlético Carlos Renaux, de Brusque. “Esse foi, sem dúvida, um dos momentos mais marcantes ao longo de todo esse tempo acompanhando o Hercílio. Foi uma vitória que a gente nunca mais esqueceu”, diz o torcedor.

Sessenta anos depois, Aleixo viveu sua segunda maior emoção com o Hercílio: o retorno à elite do futebol catarinense. “Pra mim, essa conquista foi uma das grandes, porque o clube precisava disso. Se não fosse isso aí (o acesso), eu não sei o que poderia acontecer”, observa Aleixo.

Além de torcedor, Aleixo diz estar a serviço do clube. Ajuda como puder, de auxiliar de massagista, roupeiro ou fazendo reparos no gramado. “Eu sempre digo: amor à camisa não se escolhe. E quando me perguntam o que eu ganho, eu respondo: ganho saúde e alegria de estar aqui no clube”.

 

CABEÇA ERGUIDA NO CENTENÁRIO

Seu Aleixo diz que a alegria de ver o Hercílio Luz completar 100 anos é muito grande, e comemora o aniversário durante o bom momento do clube.

“É um sentimento muito grande, porque é o clube do coração da gente, frequento esse lugar desde criança, então eu fico muito feliz ao ver o Hercílio chegar aos 100 anos com esse poderio, um clube organizado, com ar de time grande. Se o centenário fosse com o clube como estava antes, cheio de problemas, eu ia lamentar. Mas não. Esse é o aniversário de 100 anos que o Hercílio merece, de cabeça erguida”, diz Aleixo.


“Hercílio só continuou graças à união”

Dos 100 anos de existência do Hercílio Luz, Geraldo Luiz Rocha Medeiros acompanhou, pelo menos, 70. Vendeu rifas para financiar o clube, na década de 50, ajudou a passar o chapéu pelas lojas em busca de recursos, foi tesoureiro, secretário, secretário-geral, acompanhou conquistas e derrotas. Para ele, o clube só sobreviveu tantos anos graças à união.

“Eu acho que o Hercílio Luz é uma saga de tubaronenses que não apenas gostavam de futebol, mas que gostavam e amavam o clube, e isso só continuou graças à união. Sempre, nas maiores crises, e olha que não foi uma e nem duas, na hora em que tudo estava perdido sempre aparecia um para salvar, com a liderança de alguns e o sacrifício de todos. Foi muito difícil tocar o Hercílio Luz, muito”, comenta Geraldo.

Hoje, aos 78 anos, ele conta que segue atuando, agora “apenas” como torcedor e conselheiro, e confidencia que o Leão é “como uma cachaça”. Com a experiência de quem acompanhou os dois títulos catarinenses e incontáveis jogos pelo Estado afora, o torcedor não tem dúvidas de que essa história ainda irá muito longe.

“O Hercílio vai continuar. Como eu disse, nós seguimos, com muito sacrifício. Em 74, a enchente destruiu a cidade e o patrimônio do clube, mas o Hercílio não morreu. Reconstruímos. E agora vamos fazer o novo estádio. Vai ser difícil, mas vamos fazer. E assim nós seguimos, e vamos continuar, e vamos chegar aos 200 anos”.


Torcedor vê clube rejuvenescer

Representante da nova geração de hercilistas, Arthur Falchetti, de 29 anos, avalia que o Leão chega ao centésimo aniversário com a promessa de se renovar. “Eu acredito que o centenário é só mais um passo. Acho que a partir de agora ele vai seguir mais forte ainda. O Hercílio é um time que rejuvenesce. Estou muito feliz de ver o clube chegar aos 100 anos na Série A. É muito gratificante viver isso”, observa o jovem torcedor.

Para ele, as últimas disputas do Hercílio no Catarinense e na Copa Santa Catarina – neste último, chegando à final da competição e disputando o título nos pênaltis – serviram para confirmar o amor dos torcedores e despertar novos colorados. “A partir do momento em que o time subiu para a elite, deu pra ver o amor da torcida: pessoas de 80 anos e crianças de oito anos de idade chorando, torcendo juntas’’.

A relação dele com o Hercílio Luz vem de berço. Arthur é filho do ex-prefeito de Tubarão Olavio Falchetti, que já foi dirigente do clube. “A minha família sempre foi hercilista”, diz.

Ele começou a frequentar o estádio assim que o clube voltou do licenciamento, nos anos 2000 e, desde então, segue acompanhando. Para os próximos anos, a expectativa é continuar vendo o time crescer e disputar jogos memoráveis, como a recente final da Copa SC.

“Esse jogo foi o mais marcante para mim em todo esse tempo. Quando o Valdo Bacabal fez o gol, foi muito emocionante, vi muita gente chorando nas arquibancadas. E, mesmo depois, quando a gente perdeu, as pessoas continuaram se abraçando e aplaudindo. Foi nessa derrota que eu vi a nossa força”, comenta.



Veja tudo sobre: hercílio luz fc
 


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