MENU

NOTÍCIAS


TODAS | EDIÇÃO DE HOJE | DA REDAÇÃO | DIVERSÃO | ESPORTES | GERAL | POLÍTICA | SEGURANÇA

14/09/2018, 06:00

Artigo: Muito além da hospitalidade


 
redacao@diariodosul.com.br
Dê a sua opinião
Comentários ou sugestões
Envie esta
notícia por e-mail
 

Laudelino José Sardá
Jornalista e professor da Unisul

 

Tubarão surpreende pelo seu próprio nome, disse-me o escritor e jornalista Cícero Sandroni, então presidente da Academia Brasileira de Letras, depois de um bate-papo bem animado com estudantes de jornalismo da Unisul, em 1998. E indaguei-lhe a razão da inferência. Sorriu e replicou: “Por acaso flutuou no rio algum anequim capaz de denominar a cidade?” Não demorou para o visitante ficar logo sabendo que o nome Tubanhorô, o pai-feroz, que agitava as águas do rio, sofreu transmutação gráfica para ensejar uma pronúncia palatável. Contudo, oculta, infelizmente, o belo e fascinante legado indígena. Sandroni resmungou: “O pai-feroz não merecia isso, até porque nenhum tubarão ousou adentrar as águas do rio para merecer distinção”. E soltou um sorriso poético!

Vinte anos depois, Tubarão não me surpreende ao se destacar, em pesquisa da Revista Versar, como a cidade mais hospitaleira do Brasil. Vivo o azul da cidade há quase três décadas, e nutro o singelo do seu ambiente e a passividade que caracteriza o bem-estar. Nem as informações esporádicas de que a violência estaria assombrando bairros e Centro causam impacto; não passam de fake news, incapaz de afrouxar o nosso sentimento realimentado por Tubanhorô.

No cortejo das lembranças, sinto a cidade descurar-se, justamente quando o ser humano, na era digital, obstina-se à procura da felicidade em pequenas comunidades, onde a natureza minimiza os efeitos do concreto. Tubarão não combina com a teoria de que as pequenas cidades sonham em ser grandes. Não!  Ela pensa grande para permanecer pequena e feliz.

Nesta ponderação, é possível sonhar e ver a parte central da avenida Marcolino Martins Cabral exclusiva para pedestres e ciclistas. É preciso conviver ainda com a poluição dos combustíveis quando se pode caminhar de casa ao Centro a passos leves? Ah, sim, o tubaronense não herdou dos índios o gosto pela caminhada. Então, quem sabe trenzinhos movidos à energia solar passem a encurtar distâncias entre bairros e Centro, cortando jardins com apitos suaves, a motivar sorrisos dos transeuntes despreocupados.

Imaginemo-nos sentados em cafés, bares e restaurantes à beira do rio, inebriados pelas paisagens e os mais diferentes sons, até os estridentes que as novas gerações nos impõem. Sem dúvida, com essa transformação, Tubarão não seria apenas hospitaleira, mas, sobretudo, a mais atrativa aos turistas.

O azul de Tubarão precisa refletir uma cidade vestida de cores, jardins; tão iluminada quanto os raios do sol. Sim, Tubarão quer sair da singeleza, retirar as cortinas dos três viadutos, dos acessos acanhados. A cidade necessita apenas de obras simples para um furor de humanização. Tubarão, nutrida por passeios públicos, esportes no rio, ciclovias, parques, artes, águas termais, além de já ser referência em saúde e educação, seria bem mais que hospitaleira. Seu potencial a credencia a se tornar também um modelo mais ousado de qualidade de vida. A cidade, que é boa para seus habitantes, é melhor ainda para o visitante. Para isso, basta a gestão pública se entusiasmar e empreender, e a população apoiar e participar das imprescindíveis e simples mudanças.

Comece pela calçada em frente à sua casa, e caminhe, cumprimentando, sorrindo e se exercitando, além de sentir a cidade. Esta é a vida moderna.



Veja tudo sobre: artigo
 


OUTRAS NOTÍCIAS



ESPORTES

Leão: estreia empolga, mas técnico quer “pés no chão”

14/09/2018, 06:00

SEGURANÇA

Morre imbitubense encontrado após 29 anos

14/09/2018, 06:00

GERAL

Obra de rodovia está na fase de pavimentação

14/09/2018, 06:00

SEGURANÇA

Campanha busca ajuda para família

14/09/2018, 06:00







MAIS LIDAS










Avenida Marcolino Martins Cabral, 1315, 6º piso Praça Shopping
Centro - Tubarão/SC - CEP 88701-105 - 48. 3631-5000
Todos os direitos reservados - JORNAL DIÁRIO DO SUL