MENU

NOTÍCIAS


TODAS | EDIÇÃO DE HOJE | DA REDAÇÃO | DIVERSÃO | ESPORTES | GERAL | POLÍTICA | SEGURANÇA

24/02/2018, 06:00

“Fase é de inadimplência alta”, diz presidente da Acafe


 
redacao@diariodosul.com.br
Dê a sua opinião
Comentários ou sugestões
Envie esta
notícia por e-mail
 


Natural de Rio Fortuna, o presidente da Fundação Unisul, Sebastião Salésio Herdt, é graduado em Letras pela Unisul, pós-graduado em Educação pela Universidade de Salamanca (Espanha), Literatura Brasileira pela Ufsc e Administração Universitária pela Organização Universitária Interamericana/OUI (Canadá). Foi secretário-adjunto da Secretaria de Estado da Educação e reitor da Unisul. Atualmente, preside a Fundação Unisul e é membro do Conselho Estadual de Educação.

Salésio tomou posse como presidente da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe) em maio de 2016. A poucos meses do fim de seu mandato, ele fala do momento crítico do país e dos efeitos sobre os estudantes de nível superior, entre outros temas. O Sistema Acafe tem números impressionantes: são 16 instituições, 53 cidades atendidas, mais de 142 mil alunos matriculados (graduação e pós-graduação), quase nove mil professores e seis mil funcionários, 925 cursos de graduação e 554 de pós, 1,2 mil grupos institucionais de pesquisa, 188 empresas incubadoras, 50,1 mil alunos beneficiados com bolsa de estudo, 4,6 mil projetos de pesquisa, extensão e iniciação científica, 2,1 mil laboratórios, 19,8 mil computadores conectados à internet e mais de 2,5 milhões livros nas bibliotecas.

-Como está a situação financeira da Acafe e das instituições que representa?
Sebastião Salésio Herdt - De forma geral, a Acafe e suas Instituições de Ensino Superior (IES) associadas ressentem a situação econômica do país e buscam alternativas para a sustentabilidade institucional. Não só as dificuldades econômicas, mas a instabilidade política criou muitas dificuldades para as nossas instituições. Por outro lado, impulsionou o Sistema a reafirmar suas convicções, de que a Educação é o caminho para tornar a nossa sociedade mais próspera e justa. A manutenção dos padrões de qualidade, a modernização e flexibilização dos espaços e a inovação nos processos de ensino e de aprendizagem, além de operações no âmbito do Sistema que gerem ganhos para as IES associadas, são os movimentos prioritários neste momento.

-Houve evasão relacionada à dificuldade econômica? Quanto? Como reverter?

Salésio - Sim, houve evasão, a qual acompanhou a tendência nacional, ou seja, todos os estados e todos os segmentos (público, privado e comunitário) sofreram a partir das dificuldades impostas às famílias brasileiras. A evasão e a diminuição do ingresso de novos alunos afetam diretamente a sustentabilidade das instituições. Há uma necessidade de estabelecer parcerias para superar estas dificuldades. Necessitamos recuperar fortemente os programas de financiamento públicos e privados. Bolsas em programas de ensino, pesquisa e extensão próprios de cada IES e internacionalização do currículo etc. são algumas das alternativas para a reversão deste quadro.

-A inadimplência cresceu?

Salésio - A inadimplência segue o ritmo da economia do país, portanto estamos em uma fase de inadimplência alta, o que fez com que as IES organizassem programas de recuperação e de apoio ao aluno inadimplente.

-Quais os cursos que mais crescem em termos de procura e os que tendem a desaparecer?

Salésio - Medicina é o curso líder nacional em procura. Os demais cursos seguem tendências regionais de desenvolvimento socioeconômico. O fato é que o Sistema Acafe vem atualizando regularmente as matrizes curriculares no sentido de sempre oferecer ao aluno o que há de melhor em termos de ensino-pesquisa-extensão em cada um de seus cursos disponibilizados às comunidades, sempre respeitando e assimilando as características regionais destas comunidades.

-Como o senhor avalia o ano de 2017 para o Sistema Acafe?

Salésio - Difícil, mas com avanços significativos. As instituições do Sistema Acafe avançam na integração de suas ações entre si e com parceiros nacionais e internacionais. As Câmaras Setoriais internas ao Sistema (ensino, pesquisa, extensão, jurídica, internacionalização etc.) são os grandes fóruns de debate e de busca por soluções comuns e que venham resultar em ganhos operacionais para todas as IES do Sistema. O início da operação do Instituto de Pesquisas Sociais Acafe e da Central de Compras Compartilhadas são bons exemplos disto.

-O que se pode esperar de 2018?

Salésio - Um ano de muito trabalho e superação. Devemos ser incansáveis no enfrentamento das dificuldades e implacáveis na luta pela valorização da Educação como caminho para tornar o Brasil um país respeitado e valorizado.

-Há possibilidade de expansão do sistema, com a adesão ou criação de mais instituições?

Salésio - O Sistema Acafe, em sua grande maioria, é um modelo de Instituições Públicas Não Estatais, Comunitárias por natureza e de Direito Privado, presente em 53 municípios, abrangendo todo o território catarinense. Temos 150 mil alunos em todas as áreas do conhecimento e estamos fortemente sintonizados com as comunidades locais, trabalhando em prol do desenvolvimento regional e da melhoria da qualidade de vida dos catarinenses. A questão não diz respeito exatamente à expansão, mas sim à modernização do processo de ensino e de aprendizagem, aliada especialmente à rede de Parques de Desenvolvimento Tecnológico que está sendo implantada em Santa Catarina, consolidando ainda mais este exitoso modelo de Educação Superior Catarinense, presente no nosso Estado há mais de 50 anos.

-Que avaliação o senhor faz da qualidade dos estudantes que estão chegando às universidades atualmente?

Salésio - É um desafio constante, apesar de o Estado apresentar índices acima da média nacional. Temos certas dificuldades, especialmente com as ciências exatas e com o domínio da língua portuguesa. Estamos em intensa parceria com o governo do Estado, através da secretaria de Educação, no que diz respeito à construção e revisão contínuas da Proposta Curricular Catarinense e da efetivação de um Programa de Formação e Capacitação de Professores, no qual as Instituições de Ensino Superior têm grande responsabilidade.

-Como entidade em grande parte responsável também pelo crescimento equilibrado entre as regiões do Estado, considera que a Acafe recebe o apoio adequado?

Salésio - Somos o Estado da Federação com a maior capilaridade na oferta do ensino superior em seu território e com a segunda maior taxa de jovens entre 18 e 25 anos matriculados. Nossas instituições comunitárias certamente devem ser reconhecidas como grandes indutoras do atual status de nosso Estado, porque as nossas comunidades tiveram a iniciativa de empreender. Somos um Estado com um dos melhores IDHs (Índice de Desenvolvimento Econômico) entre todos os estados da Federação. Não temos grandes diferenças socioeconômicas entre as várias regiões, e as competências econômicas regionais estão fortemente estabelecidas. Tudo é resultado da oferta do ensino superior de qualidade distribuído em todas as regiões do Estado, que promoveu a fixação do estudante universitário em sua cidade e gerou desenvolvimento regional. As universidades comunitárias (Sistema Acafe) e o Estado de Santa Catarina se complementam e procuram estabelecer parceiras que resultem em ganhos para a população catarinense. Contudo, a manutenção e regularização dos repasses do programa de bolsa Uniedu (Programa de Bolsas Universitárias de Santa Catarina), bem como o estudo de novas formas de financiamento, são de fundamental importância para o estudante catarinense manter-se matriculado no ensino superior.

-Com as reformas que estão acontecendo em nível federal, o senhor acredita na privatização da Educação, especialmente de nível superior? Qual a sua opinião?

Salésio - Pessoalmente, não acredito na estrutura estatal gigante. Ela se torna pesada e, muitas vezes, improdutiva do ponto de vista de servir o cidadão, além de muito onerosa para as finanças públicas. A grande maioria dos países desenvolvidos não mantém Educação pública integralmente gratuita. Nosso modelo de expansão do ensino público gratuito necessita ser revisto, por uma questão de equidade na concessão da gratuidade. Alunos oriundos de famílias com maior poder aquisitivo devem contribuir com seus custos nas instituições públicas estatais. Só assim teremos recursos para promover a inclusão de mais alunos com talentos, mas com menor renda. Por outro lado, a participação do setor privado amplia o acesso à Educação. Acredito na livre iniciativa como fator de inovação, empreendedorismo e progresso. A economia mundial se move em parcerias, em redes e na cooperação. Temos que aprender a conjugar e romper barreiras para nos tornarmos mais fortes e reconhecidos pelo avanço qualitativo.

-Que balanço faz de seu mandato até aqui?
Salésio - O vice-presidente da Acafe, professor Günther Lother Pertschy, reitor da Unifebe, e eu traçamos para o nosso mandato de dois anos algumas premissas e muitas aspirações para o Sistema Acafe. Entre elas, destacamos: a relevância social das ações das nossas instituições, a promoção de ações articuladas entre as instituições, a implantação de modelos educativos inovadores, o foco na sustentabilidade e governança, além do fortalecimento da capacidade de transformação, entre outras. Acreditamos ter promovido estes valores organizacionais e estabelecido fortemente iniciativas de integração entre as instituições. A cooperação e as parcerias vêm se tornando as grandes aliadas do Sistema e, sobretudo, a coragem de empreender e inovar, que são marcas das nossas instituições desde sua origem.



Veja tudo sobre: acafe, educação, entrevista
 


OUTRAS NOTÍCIAS



GERAL

Médicas visitam o Abrigo dos Velhinhos

24/02/2018, 06:00

SEGURANÇA

Botijão pega fogo

24/02/2018, 06:00

GERAL

Corrida abre Semana do Soldado em Tubarão

24/02/2018, 06:00

SEGURANÇA

Casal é preso com 370 quilos de maconha

24/02/2018, 06:00







MAIS LIDAS










Avenida Marcolino Martins Cabral, 1315, 6º piso Praça Shopping
Centro - Tubarão/SC - CEP 88701-105 - 48. 3631-5000
Todos os direitos reservados - JORNAL DIÁRIO DO SUL