MENU

NOTÍCIAS


TODAS | EDIÇÃO DE HOJE | DA REDAÇÃO | DIVERSÃO | ESPORTES | GERAL | POLÍTICA | SEGURANÇA

17/10/2015, 06:00

Desinformação dificulta a procura por exames


Litiane Klein 
redacao@diariodosul.com.br
Dê a sua opinião
Comentários ou sugestões
Envie esta
notícia por e-mail
 




Créditos: Litiane Klein/DS

No primeiro dia do mês de outubro, enquanto eram iniciadas campanhas em todo o país em nome da prevenção do câncer de mama, a dona de casa Nara de Oliveira entrava no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) de Tubarão para começar o que ela define como uma nova etapa de sua história.

Nara, de 66 anos, foi a primeira paciente a fazer a cirurgia de mastectomia pelo SUS neste mês, no HNSC. A descoberta do câncer de mama foi feita em maio. “Percebi um pequeno caroço na mama e vi que havia uma retração do mamilo. Não quis falar pra ninguém porque tinha medo da reação dos meus filhos, pois meu marido faleceu de um câncer e nós sofremos muito. Eu não queria levar uma preocupação desnecessária para eles. Quando vi que o caroço tinha aumentado, falei com minha nora, que sempre me ajuda muito. Ela conseguiu marcar uma consulta para mim em seguida”, relata.
O diagnóstico foi confirmado como câncer após a mamografia. “Eu sabia que era algo que eu teria que enfrentar sem me desesperar. Tenho bastante consciência de que poderia ter cuidado mais da minha saúde e descoberto a doença mais cedo, mas não me preveni por vários motivos. Na verdade, nunca pensamos que vai acontecer com a gente, mas a verdade é que pode acontecer com qualquer pessoa”, completa.
Ela relata que por não ter casos de câncer na família dos seus pais e por ter amamentado, imaginava que não tinha um risco grande de ter câncer de mama. “Todo mundo deve fazer prevenção, e não somente para o câncer de mama; nem apenas as mulheres, mas os homens também”, aponta.
Hoje, a postura da dona de casa é outra. Ela diz que, neste momento, cuidar da saúde e tratar a doença são suas prioridades, assim como estar perto das pessoas que ama. “A única verdade é que qualquer pessoa está sujeita a ter um câncer. Então, hoje, a mensagem que eu gostaria de deixar é que as pessoas não deixem para depois. Não pensem que o tempo é curto, não esperem. Priorizem sua saúde. Tirem um tempo da correria do dia a dia para fazer seus exames, para se cuidar. Não deixem acontecer para depois ter esse cuidado”, apela.

Momento difícil
Nara diz que nenhum momento é fácil quando se está tratando um câncer. Desde a expectativa e o impacto do diagnóstico até a cirurgia, da qual hoje se recupera, muitas são as dificuldades. Para ela, porém, nenhum instante foi mais difícil do que a hora de contar para os três filhos que estava com a suspeita da doença. “Eu tinha muito medo que eles desabassem, que sofressem muito. Não existe nada pior para uma mãe do que ver os filhos sofrerem. Mas, para minha surpresa, eles tiveram reações otimistas, me dando apoio total, e hoje é a força deles que me faz ficar mais tranquila e mais confiante”, conta. O apoio da família é fundamental para a nova fase do tratamento, que deve começar nos próximos meses. “Na semana quem vem vou saber como será o restante do tratamento, se vou fazer quimioterapia. Não é fácil pensar na luta que temos pela frente, mas o câncer muda a vida da gente. Você descobre uma coragem que não sabia que tinha, uma fé grande e mais vontade de aproveitar as pequenas alegrias da vida”, finaliza. 


Pacientes apontam dificuldades em obter informações nos setores

“Eu achei o tratamento pelo SUS bom. O que torna o SUS ruim é a falta de disponibilidade de algumas pessoas que trabalham na saúde em dar as informações que precisamos.” A frase de uma das filhas de Nara, Cinara de Oliveira, resume o sentimento de muitos pacientes em relação ao atendimento pelo SUS.
Nara aponta que encontrou duas situações bem distintas em relação ao seu atendimento. “Achei que os médicos me atenderam muito bem, assim como muitas enfermeiras, atendentes e vários profissionais são muito atenciosos e demonstram muita boa vontade. Ao mesmo tempo, encontramos também descaso em algumas situações”, aponta.
“Sei que as pessoas que trabalham com saúde lidam com muito estresse e situações difíceis. No entanto, essa situação nunca vai ser mais difícil, mais angustiante que a da pessoa que está doente, lutando para ficar curada”, acrescenta.
Após a cirurgia, por exemplo, a paciente relata que se sentiu confusa, sem saber como proceder no pós-cirúrgico. “Na verdade, acho que falta dar informações sobre os remédios que estamos tomando, quando estamos liberadas para tomar água, levantar para ir ao banheiro, essas coisas. Na hora que recebi alta também houve muito desencontro sobre como deveríamos proceder com o curativo, o dreno, esses cuidados que são fundamentais na recuperação. Deveria ter um protocolo, orientações por escrito, algo para ajudar a pessoa”, opina.
Uma paciente também de câncer de mama, que preferiu não se identificar, contou que teve problemas para fazer a biópsia e a cirurgia, em função dos exames prévios necessários aos procedimentos.
“Para a biópsia precisava de um ultrassom, mas no hospital me disseram que só havia cota para novembro, ou seja, eu iria perder a biópsia, porque era agosto. Tive que pedir dinheiro emprestado e pagar. Com o eletrocardiograma, antes da cirurgia, foi a mesma coisa. Em momento algum me disseram que eu poderia ou deveria procurar um posto de saúde para conseguir esses exames”, afirma.
A Fundação Municipal de Saúde diz que cada unidade de saúde gerencia a sua própria quantidade mensal de exames, de acordo com a urgência. Além disso, a Fundação Municipal de Saúde tem um setor, de Controle e Avaliação, que é uma referência para as unidades em casos emergentes. “O agendamento de eletrocardiograma e ultrassom não costuma demorar. A Fundação desconhece essa situação”, aponta o órgão.
O gerente regional de Saúde de Tubarão, Dalton Marcon, aponta que as consultas com especialistas, assim como procedimentos de alta complexidade, como a biópsia, cirurgias, quimioterapia e radioterapia, são disponibilizadas pela gerência através do HNSC, na Unionco.
“Uma vez que o paciente entra na Unionco, o tratamento costuma ser bastante ágil. O paciente com câncer é uma prioridade e sempre estamos à disposição e até pedimos que as pessoas que tiverem alguma reclamação ou sugestão de melhoria nos procure, pois estamos sempre acompanhando o serviço, no sentido de melhorar”, afirma.

Direito à prevenção
As mulheres que buscam a prevenção podem encontrar os elementos para fazê-la pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os exames que podem diagnosticar o câncer de mama e também de colo do útero são disponibilizados pelo SUS e são um direito das mulheres.
Segundo a Fundação Municipal de Saúde de Tubarão, não existem cotas para mamografia, ou seja, não há motivos para que as mulheres que necessitam do exame não consigam fazê-lo, já que, na medida em que a avaliação clínica o solicita, ele é autorizado em, no máximo, três dias úteis.
“As unidades de saúde trabalham na prevenção. Além do câncer de mama, com a orientação para o autoexame e encaminhamento para mamografia quando necessário, as UBSs realizam diariamente o exame preventivo de câncer de colo de útero (Papanicolau)”, informou o órgão em nota.
A Fundação pontua, ainda, que as consultas com mastologista são de responsabilidade do governo do Estado, através do setor de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), administrado pela 20ª Regional de Saúde.
A mamografia para mulheres entre 50 e 69 anos e acima dos 35 anos com fator de risco é bianual, com verbas da União. Já todas as mamografias autorizadas fora da faixa etária descrita são custeadas pelo município. O Papanicolau é realizado em todas as unidades de saúde.



Veja tudo sobre: câncer de mama, saúde, prevenção, outubro rosa
 


OUTRAS NOTÍCIAS



GERAL

Banho reproduz sensações do útero

17/10/2015, 06:00

ESPORTES

Atlético Tubarão vence o Brusque em casa

17/10/2015, 06:00

GERAL

Aluno tubaronense é destaque internacional

17/10/2015, 06:00

ESPORTES

Valley Run reúne centenas de atletas

17/10/2015, 06:00







MAIS LIDAS










Avenida Marcolino Martins Cabral, 1315, 6º piso Praça Shopping
Centro - Tubarão/SC - CEP 88701-105 - 48. 3631-5000
Todos os direitos reservados - JORNAL DIÁRIO DO SUL