09/09/2017, 06:00

Presidente da Cergral compartilha experiência de viagem a Costa Rica


Único representante de Santa Catarina em uma missão de oito pessoas ligadas ao sistema cooperativista de energia elétrica, o presidente da Cooperativa de Energia Elétrica de Gravatal (Cergral), João Vânio Mendonça Cardoso, voltou impressionado pela forma de atuação do setor na Costa Rica. Ele avaliou a viagem como importante troca de experiências. Foi responsável pela visita técnica a Confederação Alemã de Cooperativas, além da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Organização das Cooperativas de Santa Catarina (Ocesc).

O país possui cinco distribuidoras de energia, um grande número de geradoras e uma estatal que abastecem a Costa Rica com cerca de 5 milhões de habitantes, numa área territorial praticamente igual a de Santa Catarina. São 20 hidrelétricas e um parque eólico.

Enquanto a estatal atende basicamente a capital São José, as cooperativas atuam no interior. Se no Brasil as cooperativas de energia elétrica atuam exclusivamente na geração e distribuição, na Costa Rica, segundo o presidente da Cergral, elas têm suas atividades diversificadas, prestando serviços de internet e TV a cabo, além de manterem lojas, tudo no sistema cooperativado.

Vaninho ressalta que esta atuação corre risco de mudança e não agrada muito ao setor. Explica que a agência reguladora da Costa Rica está propondo mudanças significativas para o setor elétrico. “Eles têm um modelo totalmente diferente do nosso e nas alterações propostas, o que se percebe é que se estuda aplicar algumas coisas do modelo brasileiro, que tem dividido o setor elétrico em duas cooperativas – a de geração e distribuição – sem atuação em qualquer outra área, como determina a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)”, comenta.

Mas, para Vaninho, o que se percebe na Costa Rica é o grande engajamento da população em torno das cooperativas. “A população prefere os serviços das cooperativas por atuarem localmente e gerarem empregos nas comunidades onde estão inseridas. As cooperativas são muito fortes e representativas e são mais de 500 em todo o país, atuando nas mais diversas áreas”, destaca.


Superação

A Costa Rica entrou no século 21 tendo por objetivo o de gerar energia a partir de fontes renováveis. Hoje, 98,55% de sua energia elétrica gerada vêm destas fontes renováveis, uma marca considerada histórica para o país. Dados do Centro Nacional de Controle de Energia revelam que a matriz energética do país se abasteceu de água, sol, vento, geotérmica e biomassa e apenas 1,45% foi gerada com a queima de combustíveis fósseis.

Isto permite uma matriz elétrica com maior eficiência às condições atmosféricas, ao mesmo tempo que se reduz as emissões de gases nocivos e se propicia um impacto positivo na estabilidade das tarifas. Do total da energia elétrica usada nos primeiros seis meses do ano, 73,26% provêm de fontes hídricas, 13,05% de geotérmica (calor da terra), 10,86% eólica, 1,36% de biomassa e 0,02% solar, todas elas renováveis. O 1,45% restante é a geração térmica, que não é renovável.



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