03/06/2013, 06:00

Descobrindo a beleza durante o cāncer




Ao descobrir que tinha câncer, a moradora de Tubarão Juliana Loffi, 28 anos, sentiu um enorme buraco abrir no peito. Com o passar do tempo, aceitou a doença. Perdeu os cabelos loiros com o tratamento, mas não deixou a vaidade e assumiu a careca. Ela foi a primeira mulher a ser fotografada pelo Projeto Rocha, desenvolvido pelo estúdio tubaronense Pro Click Fotografia, dos fotógrafos Scheila Wieggers Sassaki e Wagner Toshiro Sassaki. O objetivo é elevar a autoestima de pessoas que sofrem com a doença.
A ideia do projeto surgiu no ano passado, quando Wagner perdeu um amigo de infância por causa de um câncer na espinha. O sobrenome do rapaz era Rocha, por isso o nome do projeto. Scheila e Wagner resolveram usar o trabalho dos dois para ajudar as pessoas a encontrarem a beleza e a autoestima em um momento tão delicado de suas vidas.
Eles já estão com outras modelos em vista para fotografar gratuitamente. “Procuramos fazer um ensaio como os outros que fazemos. Com a maquiagem, as roupas, uma localização bonita”, explica Scheila.
As mulheres são incentivadas a posar sem peruca ou lenço. “A beleza da mulher não está no cabelo, mas no brilho dos olhos”, explica Scheila.
“Com o projeto, pude transformar um momento difícil em uma lembrança boa”, conta Juliana. O book dela foi feito na Praia do Rosa, em Imbituba. Hoje, ela já terminou o tratamento contra o câncer. “O cabelo faz parte da vaidade e faz parte da autoestima. Depois descobri que não é tudo. Você olha no espelho e vê como é bonita”, conta.

Autoestima cresce nos ensaios

A acadêmica de Ciências Contábeis Taiana Porto, 22 anos, foi uma das modelos do Projeto Rocha. Ela era dona de um longo cabelo preto e, vaidosa, tinha acabado de fazer um alisamento quando descobriu que tinha um linfoma, o mesmo câncer de Reynaldo Gianecchini. “Comecei com dores no peito. Depois, passei a sentir muito cansaço e perder peso. Achei que tinha algum problema cardíaco. Fui no médico e descobrimos uma mancha no eco. Era câncer”, conta.
Hoje, já terminou as sessões de quimioterapia. O tumor reduziu em 50% e agora aguarda exames para descobrir como será o futuro do tratamento. “Já tinha uma autoestima elevada, mas o projeto me ajudou muito a assumir que não tenho mais cabelo. Tenho consciência de que, quando ando na rua, as pessoas olham”, conta. Tainara conta que muitas pessoas passam pelo câncer e não aceitam. “Hoje eu saio sem peruca, sem lenço. Não deixo de fazer nada, claro, dentro dos meus limites”, conta.