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CLÁUDIA SOUZA DE ALBUQUERQUE




Sábado, 20/07/2019, às 06:00

Exposição virtual da intimidade

Sexting é um termo  que se refere  a uma  modalidade diferente de relacionamento e que deriva da junção das palavras “sex” (sexo) e “texting” (envio de textos), ou seja, ao envio e troca de mensagens de conteúdo erótico e sexual, especialmente fotos e vídeos de si mesmo ou de outras pessoas através de dispositivos eletrônicos, principalmente celulares, devido à praticidade de suas câmeras de alta definição e rápidas conexões à internet.

Essa prática tem chamado atenção dos profissionais da saúde mental, por estar crescendo muito entre adolescentes, pré-adolescentes e até mesmo crianças. Pois compreendemos, enquanto especialistas, que, apesar de entender e ter muita familiaridade com a tecnologia, a maioria dos adolescentes ainda não tem maturidade para medir as consequências dessa “moda”. E como os canais de comunicação  hoje em dia permitem um rápido intercâmbio de imagens ou vídeos, fazendo com que muitos destes dados percam a sua privacidade, muitos adolescentes ignoram que essas imagens sexualmente explícitas possam ser divulgadas rapidamente na mídia sem o seu consentimento, podendo, inclusive, ser utilizados por cibercriminosos para chantagear, denominado de/ou pornografia vingativa. O “revenge porn” se classifica como uma forma de assédio grave e um tipo de violência doméstica e que resulta em uma sobrecarga social e emocional para as vítimas, podendo causar situações constrangedoras e até ameaçadoras, caso a informação pessoal das vítimas esteja associada aos conteúdos em causa. As vítimas são geralmente perseguidas, ameaçadas e podem se ver obrigadas a abandonar a sua vida “normal” como resultado da sobre-exposição da sua imagem, resultando muitas vezes em quadros de depressão, bullying, ansiedade, pânico e até mesmo o suicídio.

O aumento dos “sexting” e de suas consequências desastrosas e traumáticas está pautada, principalmente, na desatenção familiar sobre o acesso e excesso do uso às tecnologias sem o controle, supervisão ou orientação dos pais ou responsáveis.

Algumas recomendações  aos pais:

•Proibir o uso não educa, nem previne. Diálogo e negociação são palavras-chave para estabelecer regras e limites.

•Estipule  horários para que o uso não atrapalhe outras atividades

•Lembre-se que quanto menor for a criança, menor deve ser o tempo de uso dos eletrônicos.

•Participe  com seus filhos das atividades “online”, conheça o que seu filho faz e com quem ele se comunica virtualmente.

•Internet não é babá eletrônica! Os pais precisam acompanhar a navegação dos filhos, especialmente nos primeiros anos.

Lembre-se que a melhor maneira de cuidar da integridade dos filhos não é proibir o uso da tecnologia, mas, sim, orientá-los  sobre o uso responsável da tecnologia e sobre os riscos associados a ela.