Política

MILTON ALVES




Quinta-feira, 02/05/2019, às 06:00

Num mato sem cachorro

Se depender dos deputados que se elegeram pelo seu partido, o PSL, o presidente Jair Bolsonaro vai passar muitas dificuldades para aprovar suas propostas de emenda à Constituição, projetos de lei e conversão de medidas provisórias que encaminhar para a Câmara dos Deputados. Pra se ter uma ideia, na segunda e terça-feira, por exemplo, dias que antecederam ao feriado de 1º de maio, as casas legislativas de Brasília não tinham programada nenhuma votação importante, mas o Plenário da Câmara foi aberto para sessões deliberativas que contariam, por exemplo, para o cumprimento do prazo de tramitação da PEC da previdência na Comissão Especial. Como o prazo determinado é de 40 sessões, duas seriam eliminadas, restando apenas 38. Só que elas acabaram não acontecendo, por falta de quórum. Sim, faltaram dois deputados para atingir 51, o número mínimo exigido para se dar uma deliberativa por aberta e configurada como tal. Mais da metade dos deputados do PSL não deram as caras. 

A deputada catarinense
Sendo assim, só restou aos que lá estavam usar a tribuna para reclamar, e com razão. A deputada catarinense Carmen Zanotto foi uma das que protestou contra a falta de sessão deliberativa no Plenário da Câmara na segunda-feira. E olha que ela nem é do partido do presidente. “Preciso registrar a minha frustração e lamentar a falta de sessão. Muitos de nós tivemos que nos deslocar de nosso Estado para estar aqui. Poderíamos, pelo menos, ter tido uma sessão de debates para falarmos sobre os temas que envolvem esta Casa e o país”, criticou.

Dificuldades em chegar 
Carmen contou que precisou se descolocar de Lages, no domingo à noite, para Florianópolis, e às 7h de segunda-feira pegar o voo para São Paulo, para estar em Brasília antes da abertura da sessão. “Quando chego aqui, sou avisada que não houve quórum para abrir a sessão deliberativa. Além do gasto com passagem, tivemos que abrir mão de compromissos importantes nos nossos estados”, completou a parlamentar, que tem sido uma das mais atuantes, principalmente em defesa da melhora de atendimento na Saúde, área da qual ela é uma das representantes. 

A delação de Cunha 
Dizem em Brasília que a maior preocupação dos integrantes da chamada “velha política” – aqueles que fizeram parte do Parlamento ou dos governos anteriores ao último pleito – é quanto às articulações que conduziriam a uma já definida “delação premiada” do ex-todo poderoso presidente da Câmara, Eduardo Cunha, considerado por muitos o principal artífice do impeachment de Dilma Rousseff. Ninguém tem dúvidas de que Cunha sabe muito mais das falcatruas que tomaram conta da República nas últimas décadas do que muitos dos que já foram presos, ou mesmo alguns que ainda continuam soltos.

As dificuldades
para acontecer
O site “O Antagonista”, porém, destacou na sua edição on-line de ontem que, apesar das especulações, quem conhece bem a rotina dos delatores da Lava Jato do Paraná descarta a tese de que Eduardo Cunha estaria negociando um acordo de colaboração premiada. É que Cunha ainda está no Complexo Médico Penal, onde é inviável a realização de reuniões com advogados e autoridades. Segundo o site, na opinião dos especialistas, seus ex-parceiros de crime podem começar a se preocupar caso Cunha seja transferido para a carceragem da Polícia Federal. Aí o bicho pega.

Prazo para o Sisu
As instituições públicas de educação superior têm até a próxima sexta-feira da semana que vem, ante a véspera do Dia das Mães, para fazer a inscrição no Sistema de Seleção Unificada. O Sisu, como é conhecido, trata-se de um banco de dados do Ministério da Educação com vagas de
graduação para estudantes de todo o Brasil. Os cursos são oferecidos para quem participou do Exame Nacional do Ensino Médio. Sempre é bom lembrar que estas vagas do Sisu valem para o segundo semestre. A instituição de ensino deve informar a abertura de vaga no site mec.gov.br.