Política

MILTON ALVES




Terça-feira, 16/04/2019, às 06:00

Eles se entendem

Não deveria ser surpresa pra ninguém a informação de que a Federação Brasileira dos Bancos, Febraban, não está vendo com bons olhos a MP do governo de Jair Bolsonaro, que impede a farra da contribuição sindical, que continuava a ser cobrada por decisão de assembleias de pelegos e o aval dos togados, que estão mais para sindicalistas do que para verdadeiros juízes trabalhistas. Principal entidade representativa da classe no Brasil, a Febraban – que reúne 121 dos 172 bancos registrados no Banco Central – quer que a prática continue para que possa “negociar” com os sindicatos, evitando, assim, greves de bancários.

Os acordos
Entre banqueiros e sindicatos, a coisa meio que funcionava como “moeda de troca”. Os bancos garantiam em favor da direção sindical a remessa da contribuição, alguns repassando valores sem que até mesmo tivessem sido descontados na folha dos trabalhadores, e, em troca, o sindicato prometia que não promoveria paralisações por reajustes salariais. Um verdadeiro toma lá dá cá com o dinheiro que pertente ao funcionário. Caso idêntico a atual direção do Sindicato da Saúde de Tubarão encontrou quando assumiu o comando da entidade, quase três anos atrás.

Caso do hospital
Descobriu que o Hospital Nossa Senhora da Conceição repassava valores relativos à contribuição sindical de cada um dos mais de mil funcionários da época sem descontar na folha. Ou seja: o hospital bancava; o funcionário, que muitas vezes nem sabia que estava sindicalizado, agradecia; e o sindicato cruzava os braços, não cumprindo seu papel de verdadeiramente representar os interesses trabalhistas. Em se tratando de banqueiros e sindicalistas, que vivem no imaginário popular em permanente “guerra”, na verdade nunca divergiram sobre esse assunto. Para garantir seus interesses financeiros, vendiam até a alma do coitado do trabalhador.

Cópia da cópia 
Sem poder dizer que é contra, até porque, se assim o fizer, estará dando um verdadeiro tiro no pé, o PT tem tentado a todo custo “descredibilizar politicamente” a ideia proposta pelo governo Bolsonaro de conceder o 13º salário aos beneficiários do Bolsa Família. Um dos argumentos usados é a ideia originalmente do ex-senador Lindbergh Farias (PT), e que foi apresentada por ele em 2017. A verdade é que, apesar do governo Bolsonaro nunca ter alardeado uma possível paternidade, o PT tenta lhe tirar esse direito com uma falsa premissa. O verdadeiro pai da ideia foi o ex-senador Efraim Morais, do DEM da Paraíba, que apresentou um projeto com mesmo teor em 2007, portanto, dez anos antes do ex-senador petista Lindbergh Farias.

Prestação de contas e o futuro
Essa segunda-feira em Tubarão foi de importantes encontros entre políticos, entidades de classe e imprensa. No meio da tarde, na sala de atos do Paço Municipal, o prefeito Joares Ponticelli (PP) tomou um café com jornalistas, radialistas, colunistas e outros “istas”. Na pauta principal: os resultados positivos da Marcha dos Prefeitos a Brasília. Mais tarde, no auditório da Acit, foi a vez dos tubaronenses receberem os deputados que integram a “Bancada do Sul”, com a discussão de temas de interesse regional.

Questão do aeroporto
Os deputados, já a caminho da capital, onde hoje retomam os trabalhos na Assembleia, estiveram antes visitando as Associações Empresariais de Araranguá e Criciúma. Uma das pautas, discutida nas três audiências, foi a instabilidade dos voos da Latam no Aeroporto Regional Humberto Bortoluzzi. O encaminhamento dos parlamentares será no sentido de solicitar ao governador Carlos Moisés (PSL) que encontre uma solução imediata para as questões que envolvem a unidade dos bombeiros que atendem o aeroporto.

Nas mãos das companhias
Primeiro, a Latam suspendeu seus voos porque o caminhão dos bombeiros estava quebrado. Agora, exige que só trabalhem bombeiros com habilitação em aeroportos, mesmo que isso não seja exigência da Anac. A verdade é que o empresariado da região – principal cliente do regional – não pode mesmo ficar à mercê da boa vontade das empresas aéreas. Não dar a elas margem para argumentos seria ótimo.