Variedades

RENATA DAL-BÓ




Quarta-feira, 13/03/2019, às 00:00

A vez e a voz da mulheres

No último 8 de março, em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, estive reunida com um grupo de 13 amigas, as quais tive a sorte e orgulho de conhecer há cerca de três anos. Somos mulheres de diferentes idades e profissões, mas que temos em comum o fato de batalharmos pelo nosso espaço, ideais e sonhos. No grupo há jornalistas, psicólogas, artista plástica, fisioterapeuta, educadoras, professoras, palestrante, engenheiras, escritora, empresária, delegada; algumas são mães, outras não; algumas são separadas, outras solteiras, esposas, namoradas; mas, acima de tudo, há mulheres que saíram de sua zona de conforto e, através de suas escolhas e profissões, lutam por aquilo que acreditam e almejam. Eu, por exemplo, como jornalista e escritora, luto por meio da palavra. Minha amiga artista plástica luta construindo e exibindo sua arte, as psicólogas trabalhando com a alma e a mente, as educadoras transmitindo conhecimento e ajudando a mudar conceitos, a palestrante compartilhando experiências, e por aí vai. Através do movimento de nossa existência, buscamos caminhos para a liberdade, sobretudo de expressão. Sabemos que em muitos momentos a liberdade de escolha da mulher pode aproximar-se a quase zero, mas a liberdade que defendo consiste em não aceitar passivamente as opressões, não só de gênero, mas também de raça, orientação sexual, classe, etc.

Ainda há muito o que conquistar? Sem dúvida, mas se pensarmos que no século XIX a valorização da mulher estava na sua boa reputação como esposa, mãe e organizadora do ambiente familiar. Passava da tutela do pai para a do marido. Ser casada era seu único status. Sim: só a mulher casada era respeitada. A historiadora Mary Del Priore conta no livro “Histórias e conversas de mulher” que a família era inteiramente subordinada à figura do pai. Rei em casa, ali ele representava o Estado e a Igreja. Mulher não tinha voz, nem vez. Além de submissão, esperava-se que a esposa exercesse plenamente a função de procriar e transmitir aos filhos valores éticos e morais. A mulher devia ser virtuosa, honesta, honrada e discreta. E mais: a mulher não tinha autoridade sobre o seu próprio corpo – o marido é que tinha. A submissão feminina fazia parte do contrato de casamento.

Há pouco mais de 100 anos ainda éramos um país escravocrata e as relações com as mulheres negras eram vincadas por maus-tratos de todo tipo. Os gestos mais diretos e a linguagem mais chula eram reservados a negras escravas e forras mulatas.

Hoje vivemos na fronteira entre o passado e o presente, neste espaço intermediário. Por isso, ainda vemos tantas atrocidades contra a mulher. Precisamos assimilar o passado para modificar o presente e estabelecer novas fronteiras gerando novos pensamentos, sentidos e identidades. Portanto, temos que nos fazer ouvir, que valorizar quem somos, precisamos falar, nos posicionar, correr atrás, exigir, se respeitar, denunciar, indagar, brigar. Cada uma com a arma que tem.