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JOSÉ WARMUTH




 
 

Sexta-feira, 14/12/2018, às 06:00

A guerra das panelas

Aconteceu numa feira de utilidades domésticas:

Um expositor, fabricante de panelas, resolveu promover seus artigos, colocando-os, para comparação, lado a lado com as panelas mais pobres que pôde encontrar em uma jornada pelo interior.

À noite, quando ninguém mais estava por ali, as panelas começaram a conversar:

− Ei, você aí, você que já está toda preta, torta e sem cabo. Você não está com nada. Olhe para mim, veja como sou reluzente e prática, vestida com teflon. Crostas não grudam em mim como grudam em você, sua caipira.

− Vai calando a tua boca, sua enxerida. Sérgio Reis, que sabe das coisas, é meu amigo e vive cantando: panela velha é que faz comida boa. Alguém canta pra você?

Uma moderna frigideira, com artística tampa negra e pegador, também se manifestou:

− E você, sua frigideira velha e chinfrim. Você não frita mais nada que preste. Você só serve para fazer ‘panelaço’ em protesto público.

− Aí é que você se engana. Ao contrário de você, que está quase desempregada, por causa do colesterol que produz, e que é desnecessário para os ricos, eu continuo fritando aquela gostosa e rústica linguiça, com grandes nacos de toicinho, a cheirosa e apetitosa sardinha, que é baratinha, e a saborosa fortaia dos colonos italianos. Pode ficar com o teu insípido e inodoro salmão!

Na contraofensiva, o já “rodado” bule de café, com alguns amassados causados pela idade, protestou: 

− Gente de bom gosto e que aprecia o que é de bom paladar não me troca por você, sua cafeteira elétrica, complicada e de voltagem dependente. Eu sou simples e infalível, e com meus eternos parceiros, o coador de pano e a chaleira de ferro, produzo aquele gostoso café da “roça”, insubstituível por qualquer modernidade. Ao invés de competirmos, deveríamos nos unir contra o horroroso, assim chamado, café solúvel, que teima em nos impor a aposentadoria.

Então, foi a vez da velha panela de barro se manifestar:

− Não vejo, entre vocês, ninguém que possa me substituir nas minhas tarefas de cozinhar uma gostosa feijoada, uma moqueca ou uma peixada.

Então amanhece, e os expositores chegam trazendo o cafezinho já pronto, em garrafa térmica, para ser oferecido aos visitantes, em inexpressivos copinhos de plástico.

Um tanto “enfossada”, a velha cafeteira fica a desdenhar:

− Olha lá! Três “efes” certamente: frio, fraco e fedorento. Feito, com toda a certeza, em cafeteira elétrica, com coador de papel...    




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