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MAURO PAES CORRÊA




 
 

Sábado, 06/07/2019, às 06:00

O lado escuro da tecnologia

Desde o começo do século XXI, vários pesquisadores e cientistas, seja do comportamento humano ou até mesmo aqueles que lidam diretamente com a tecnologia, afirmam de forma sombria: estamos emburrecendo.

Como assim, emburrecer, se somos a todo momento recebedores de tantas informações que praticamente nosso cérebro precisa filtrar o que é útil ou não? Vejamos um exemplo prático: uma quantidade considerável de usuários da internet ao menos uma vez por semana visualiza informações no Youtube. Para que a plataforma de vídeos torne-se rentável, ela exibe anúncios. E o que você faz? Pula os anúncios de forma inconsciente. Estou utilizando apenas este exemplo para mostrar o quanto nós já filtramos informações e nem percebemos.

Pois bem, voltando ao assunto: seus avós ou bisavós certamente sabiam fazer o fogo. Seja o fogo para assar carne ou o fogo que fazia trabalhar o fogão à lenha. E você? Sabe fazer o mesmo que seus avós? Muitos deles tinham os talentos necessários para a sobrevivência.

Com a tecnologia, temos equipamentos, mas perdemos os conhecimentos primários. Compramos as máquinas prontas, dependemos cada vez mais e mais de equipamentos elétricos. Outro dia, inclusive, ficamos sem Instagram, WhatsApp e Facebook. “Não consigo falar com amigos”, dizia um usuário das redes. Os mais jovens estão esquecendo (acredite) que uma das funções básicas do telefone celular é realizar e receber chamadas. E o famoso SMS ainda funciona.

Na educação, a tecnologia precisa ser repensada. Temos a tecnologia, mas uma parcela de professores ainda não conhece devidamente a plataforma de ensino a distância, ou as ferramentas on-line que facilitam o aprendizado da nova geração.

É preciso repensar infinitamente o que fazer com tanta tecnologia. Em tese, a tecnologia deve facilitar a vida dos usuários, permitindo torná-la mais produtiva, para que este tenha tempo para outras atividades que tragam prazer e bem-estar. A tese anda bem diferente da realidade...


Levy


Preciso fazer uma justa homenagem ao finado bom amigo e primo. Desde sempre, tive problemas de audição e de locomoção motora. Quando jovem, tinha poucos amigos. De certa forma, foram ele e o seu irmão Lurregi que me trouxeram para o caminho da tecnologia. O irmão mais jovem, que foi morar no céu repentinamente, tinha o bom senso de visitar-me, e, curioso como era, achava que eu tinha talento para alguma coisa.

Sem as mãos amigas do saudoso Levy, talvez eu não me sentisse realizado em minha profissão. O garoto tinha paciência para vir quase todos os sábados de sua adolescência para utilizar a internet em sua casa. Meus pais, naqueles anos distantes, passavam por uma profunda crise financeira. Poucos anos depois, comprei meu primeiro computador, e lá estávamos nós, on-line, nas ondas do mundo digital. Com o tempo, eu mais digitava que conversava, e, com esta troca de informações, despertava aos poucos o talento antes oculto da escrita e do gosto pela tecnologia. Fica o registro, ainda que póstumo, do bem que fizestes sem perceberes a muitas pessoas, e nos sentiremos eternamente gratos pela convivência com sua pessoa. Siga em paz, nobre guerreiro.




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