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MAURO PAES CORRÊA




 
 

Sábado, 05/01/2019, às 06:00

Os limites da vida virtual

Na rodinha com amigos (as), familiares e conhecidos (as), a vida real mistura-se com a maravilhosa e muitas vezes perigosa vida virtual. Até onde vai o limite de expor nossa vida nas redes sociais e a incessante necessidade de demonstrar que tudo está bem, ou que estamos felizes?

Para a Psicologia, o estudo do comportamento humano traz uma série de questões que precisam de melhor compreensão, principalmente nos dias de hoje, em que nossa vida é dinâmica ao extremo e cada vez mais envolvida com a tecnologia. Deixamos de ser seres apenas sociais, para sermos seres conectados.

Sobre este assunto, troquei algumas informações com a psicóloga Cláudia Juliana Ochs Maciel, de férias no momento, mas que em fevereiro volta a atender na Cidade Azul.

-O desejo de quem utiliza as redes sociais de mostrar a todo o custo que está feliz, com belas fotos, locais e outros bons momentos, não cria um vazio psicológico para o usuário?
O uso das redes sociais possui infinitos viés, um dos lados positivos persiste na facilidade de comunicação e compartilhamento de realidades que exteriorizam momentos reais e vividos. Entretanto, muitas pessoas simulam uma vida que não é aquela demonstrada nas fotos, nos posts e opiniões, ou mostram apenas aquilo que acreditam serem aspectos positivos de suas vidas, tamponando o sofrimento e outras emoções/situações vistas como de menor valor pela sociedade. É uma falsa realidade que pode trazer prejuízos para a vida emocional do sujeito, que fica preso numa ilusão e também para aquele que assiste essa ilusão, acreditando que existe um lugar de completude, uma vida ideal que por ele não foi alcançada. É uma questão de bom senso e coerência às vezes se perguntar: “eu realmente quero realizar este post?” Pensando que, muitas vezes, as pessoas desconhecem os reais motivos que lhe levam a fazer uma determinada postagem, é interessante se questionar ao realizar uma exposição e tentar perceber os desejos que nos levam a querer realizá-la. É importante sermos sinceros com nós mesmos nesses momentos, o que pode render uma boa auto-análise.

-E quanto aos relacionamentos que acabam, o (a) ex tem total direito de bloquear o (a) ex-amado (a)?
Ele (a) pode bloquear, fazer o que quiser nas redes, isso pode ajudar de alguma forma a lidar com as lembranças, mas o processo psíquico continua ali, o sofrimento vai aparecer, não tem como fugir dessa realidade utilizando as redes. Só o mascaramento que atua muitas vezes, tentando mostrar para o ex ou para os outros uma realidade de que está tudo bem e que não há sofrimento. O sofrimento faz parte da vida humana, não há motivos para negá-lo dessa forma, em busca de uma vida de ilusões.

-Com este tipo de realidade, é cada vez mais comum pacientes com este tipo de perfil?
O que percebo cada vez mais é uma preocupação excessiva com essa relação, do que o outro vai ver e do que vou mostrar. Muitas pessoas acabam presas numa caixa, tentando segurar uma imagem e sustentar uma determinada posição que acaba sendo de objeto para o outro. E se colocar nessa posição, de objeto de desejo para o outro, é potencializado na era em que vivemos. É uma posição difícil de se sustentar, pois muitos acabam anulando seus reais desejos, o que gera sofrimento e sintomas. A Psicologia pode auxiliar muito nesse quesito e fazer com que a pessoa atravesse esse nó de ilusões e se depare com sua essência.




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