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LÚCIO FLÁVIO




 
 

Sábado, 06/07/2019, às 06:00

Candidatura precoce

O primeiro semestre já foi. Vivemos seis meses (intensos) sob a nova política, liderada pelo presidente Jair Bolsonaro e seu partido, o PSL. Para terminar o mandato do capitão, falta muito: o segundo semestre desse ano, o ano que vem inteiro, mais o outro ano inteirinho, para, só então, chegarmos às eleições presidenciais em outubro de 2022. E por que falo nisso? Porque, estranhamente, dias atrás Bolsonaro se lançou candidato à reeleição. Anunciando assim, tão precocemente, já seria totalmente fora de propósito. Mas é ainda pior porque em outubro do ano passado, uma semana antes do segundo turno, ele prometeu fazer uma reforma política que acabaria com a reeleição, e diminuiria o número de deputados.

Em abril deste ano reafirmou o prometido, argumentando que a “reeleição causou uma desgraça no Brasil. Prefeitos, governadores e até o presidente se endividam, fazem barbaridades, dão cambalhotas, fazem acordos com quem não interessa, para ter apoio político”. Obviamente, Bolsonaro pode não cumprir sua promessa e se candidatar à reeleição. Mas seria prudente, antes, estancar a sangria em seus índices de popularidade, que vêm caindo mês a mês, diante da estagnação da economia brasileira. Deveria se concentrar nos enormes desafios que o país precisa superar. Seja da velha ou nova política, é como alguém já definiu: um estadista pensa na próxima geração. Um populista pensa na próxima eleição.


Onda apressada

Essa preocupação com a próxima eleição bem antes da hora também está presente aqui no Estado. Todos os colunistas políticos noticiam semanalmente as articulações do governador Carlos Moisés para lançar candidatos a prefeito na eleição do ano que vem, nas maiores cidades. O objetivo seria facilitar sua própria candidatura à reeleição, em 2022. É do jogo político, e o governador tem todo o direito de fazê-lo, logicamente. O que surpreende, como no anúncio precoce de Bolsonaro, é a antecipação com que isso está sendo feito. Há um Estado que precisa ser (bem) governado, antes.

Campanha antecipada
Antecipar eleição dá nisso, a oposição acaba se mobilizando e criando aquele clima sujo de campanha antes da hora, para tentar destruir reputações. O secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Lucas Esmeraldino, cotado para ser candidato a prefeito de Florianópolis, foi a vítima da vez, ao ter seu nome envolvido, durante a semana, em matérias veiculadas na imprensa da capital, como se estivesse sob investigação judicial, o que não é verdade. Citaram familiares de Lucas que estão sendo processados, sem que haja, até agora, uma única condenação contra qualquer um deles.

Injustiça repetitiva
É preocupante essa onda de denuncismo porque, nos últimos tempos, exemplos não faltam de injustiças cometidas por notícias geradas a partir de operações policiais, autorizadas pela Justiça. Luiz Carlos Cancellier, ex-reitor da UFSC, foi o caso mais emblemático. Mais recentemente, o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, foi preso acusado de manter na prefeitura uma sala segura contra grampos, e de ter pedido para manter uma servidora estadual no cargo. Se há provas contra alguém, de algum crime, que seja processado e julgado. Essas condenações sumárias é que são muito preocupantes.

Joares no PSL
Acerca da movimentação do governador Moisés para garantir vitória nas maiores prefeituras catarinenses, há o convite para o prefeito Joares se filiar ao PSL. Candidato à reeleição, Joares não esconde seu desejo de ser candidato novamente na majoritária. No PSL, talvez encontre mais facilidades para isso, podendo concorrer ao Senado e, mais adiante, ao governo. O problema é que atrela seu futuro político ao sucesso de Bolsonaro, que já começa a ser vaiado em público.




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