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LÚCIO FLÁVIO




 
 

Sábado, 11/05/2019, às 00:00

Ideologia: precisamos mesmo de uma pra viver?

“Ideologia, eu quero uma pra viver.” Assim cantava Cazuza no final dos anos 80. Era uma época que o Brasil havia recém-saído da ditadura militar e tínhamos, com a eleição de Tancredo Neves, a ilusão de que um governo civil iria nos trazer novos e bons tempos. Mas Tancredo morreu, ficou o vice José Sarney e tudo aquilo que passamos, com os planos econômicos desastrosos e sua moeda, o Cruzado, depois Cruzado Novo. “Meu partido é um coração partido, e as ilusões estão todas perdidas”, lamentava, com toda razão, o poeta do rock.

Logo depois veio a primeira eleição direta e conseguimos piorar nossa situação, com Fernando Collor e o confisco da poupança. Surgia, a reboque, nessa eleição de 1989, a divisão política que chegou aos nossos dias, com Lula e os partidos de esquerda. Ou se era Collor, com os dois “ll” pintados de verde e amarelo, ou se empunhava a bandeira vermelha – semelhante à polarização que vimos na última eleição. Quando Collor saiu de cena, pelo impeachment, a polarização se deu entre petistas e tucanos -- ou coxinhas e petralhas, para usar essa linguagem desaforada que surgiu nas redes sociais.

Essas discussões entre os dois lados, aliás, sempre foram acaloradas, especialmente em época de eleição. E mais ainda entre quem é partidário ou defensor de um dos lados. Para o cidadão comum, aquele que não tem cargo público nem é filiado a nenhum partido, mas que depende dos serviços públicos, como saúde, educação e segurança, faz diferença se quem está no comando é de esquerda ou de direita? Faz diferença pro norte-americano, com a economia forte e empregos sobrando que, ao invés de um estadista como Barack Obama, tenham na presidência um boçal como Donald Trump?

Imagino que a maioria dos brasileiros espera que o país se recupere, que surjam oportunidades para todos, de investimento e emprego. E que o governo retorne em bons serviços os impostos arrecadados. Pois quando o país navegava em mares tranquilos, com o sucesso do Plano Real, nos anos 90, não importava qual era a ideologia do presidente Fernando Henrique Cardoso. Da mesma forma com Lula, que encerrou seu segundo mandato com 87% de aprovação. Ao final, o que importa mesmo é o que fazem nossos governantes, e não o que pensam, ou qual ideologia seguem.

Quando a ideologia atrapalha
Abordo esse tema na coluna dessa semana porque, infelizmente, é o que mais se tem falado no país nesses últimos meses. A preocupação maior do presidente e seus filhos, expressada diariamente via Twitter, é com assuntos ideológicos. Chega-se ao cúmulo de se ter uma polarização dentro do próprio governo, entre o grupo militar e o chamado grupo ideológico, ligado ao guru desbocado Olavo de Carvalho, que é quem, parece, manda de fato no país.

Mudam-se ministros por questões ideológicas. Pelo mesmo motivo cortam-se investimentos na educação e na cultura. Até anúncios do Banco do Brasil sofrem intervenção ideológica. Enquanto se perde tempo com inimigos imaginários, ao invés de concentrar esforços para combater problemas reais, o país continua atolado na pior crise da história. No discurso de posse, Bolsonaro disse que precisava “livrar o país de amarras ideológicas”. Não livrou. Apenas trocou as amarras para o lado direito.




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