MENU

COLUNISTAS


Geral

LÚCIO FLÁVIO




 
 

Sábado, 09/02/2019, às 06:00

Esperava mais do governo

Confesso que esperava um pouco mais do governo Bolsonaro. Mais rapidez no anúncio de medidas impactantes, quero dizer. Desde a eleição, sua equipe de transição teve tempo suficiente para preparar uma série de ações que pudessem impactar positivamente na economia, que é o nosso maior problema. Precisamos de remédio rápido, uma vez que a economia continua estagnada, e os empregos e as oportunidades, cada vez mais raros. Por isso, esperava que tão logo o capitão assumisse teríamos o anúncio de medidas que pudessem, de alguma forma, retomar o desenvolvimento econômico.

No entanto, até agora, de concreto, apenas o anúncio da flexibilização da posse de armas e que a Caixa Econômica Federal não irá mais patrocinar os times de futebol. Pelo menos esse dinheiro, antes destinado ao esporte, estimado em mais de R$ 150 milhões ao ano, poderia ter sido direcionado para linhas de crédito para as microempresas. Seria uma medida simples, mas que ajudaria a salvar milhares de empregos. Tampouco houve mutirões de negociações para devedores negativados, que poderiam voltar a ter crédito na praça – mais uma medida que seria benéfica para a economia.

Se não há socorro para quem produz, nem para quem atravessou a pior crise da nossa história e está devendo até o pescoço, a reforma da Previdência parece ser a única proposta do governo como solução para a nossa economia. Como deve levar pelo menos três meses até ser aprovada no Congresso, já estaremos no meio do ano. Resta rezar até lá. Esperemos, então, que seja aprovada a melhor proposta possível, que possa tirar o país do buraco que nos meteram. Mas continuo achando, cá com meus botões, que ficam faltando várias outras medidas, que poderiam acelerar a retomada do crescimento.


Pacote na segurança
Se na economia há apenas a bala de prata da reforma da Previdência, na segurança pública, outro grande problema que enfrentamos, há uma série de medidas anunciadas no início da semana pelo ministro Sérgio Moro. A maioria delas necessárias, obviamente, e há um grande clamor popular por tais medidas, é inegável, pois normalmente a maioria da população não quer justiça, quer vingança, o que é bem diferente.

Licença para matar
Particularmente, vejo com muita preocupação alguns pontos propostos pelo ministro, como dar carta branca para o policial matar em serviço e a flexibilização da legítima defesa. Junto com a posse de armas, podemos virar um país de bangue-bangue. Mas precisamos ver quem é o bandido e quem é o mocinho. No Rio de Janeiro, com os milicianos condecorados com medalhas, esse papel se confunde.

Insegurança jurídica
Também sou radicalmente contra todas as mudanças que são contrárias ao que diz a Constituição Federal. Querendo mudá-la, o caminho correto é propor uma emenda constitucional, a ser aprovada no Congresso, ou viveremos para sempre na mão dos humores e vaidades dos ministros do Supremo Tribunal Federal, como vimos na questão da prisão em segunda instância. Se é para mudar a Constituição, que se proponha e se vote a mudança. Mas enquanto não muda, deveria ser respeitada.

Condomínio fechado
Por falar no Rio, o governador Wilson Witzel, também um ex-juiz federal, aproveitou as medidas de Sérgio Moro para anunciar o projeto de construção do primeiro presídio vertical do país. Um prédio de nove andares, a um custo de R$ 80 milhões, para abrigar cinco mil presos. Tem tudo a ver com os novos tempos. Num país em que se fecha tanta escola pública, é bom mesmo ir construindo cada vez mais presídios. Vamos precisar.




OUTRAS COLUNAS









MAIS LIDAS










Avenida Marcolino Martins Cabral, 1315, 6º piso Praça Shopping
Centro - Tubarão/SC - CEP 88701-105 - 48. 3631-5000
Todos os direitos reservados - JORNAL DIÁRIO DO SUL