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LÚCIO FLÁVIO




 
 

Sábado, 02/02/2019, às 06:00

Uma perda inestimável

Um jornal é feito de muita informação, que deve ser o mais imparcial possível, mas também de muita opinião, através de seus colunistas. Quanto mais qualificados, melhor para o leitor. Por isso, como responsável pela Redação do DS, sempre busquei atrair para as páginas do jornal os melhores colunistas disponíveis, que pudessem contribuir para um melhor debate de ideias, dentro de seus segmentos. No caso do dr. Lédio Rosa de Andrade, foi ele quem procurou o jornal, motivado por sua amizade com meu sócio Tomaz Viana de Albuquerque. Por quase nove anos tivemos a honra de publicar sua coluna semanal, intitulada Direito ao Direito. Delas, resultou uma série de oito livros publicados, com o mesmo nome da coluna.

Lédio era um intelectual, e como é comum aos intelectuais era de uma simplicidade marcante, que dispensava o doutor na frente do nome e o uso de terno e gravata quando desnecessário. Parece bobagem, mas isso é muito revelador, especialmente quando vivemos numa época em que nosso Judiciário costuma nos envergonhar, com a vaidade e arrogância de alguns dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Mais importante ainda era sua ideia de que a justiça deveria prevalecer sobre a lei, quando essa fosse injusta. Criou, assim, o programa Lar Legal, que deu dignidade a mais de 6 mil famílias de baixa renda em todo o Estado, que puderam ter a escritura do terreno.

Em várias de suas colunas, publicadas no DS ainda no ano de 2003, já alertava para a falta de transparência e descontrole nas contas da Unisul, alertando para os riscos e consequências da gestão do então reitor -- o que acabou se confirmando, como vimos atualmente. Também foi voz firme contra a injusta prisão do falecido reitor da Ufsc, Luiz Carlos Cancellier, o Cau. Sua visão de mundo progressista causa horror a muitos, nesses tempos conservadores, mas por isso mesmo ela seria tão necessária, para que haja sempre o contraponto. A partida prematura do Lédio deixa uma grande lacuna. Ficam, no entanto, seus pensamentos e seus ideais.


Ano trágico
O ano mal começou e tem sido de muita tristeza para nós, do DS, que nesse primeiro mês de 2019 já se despediu de dois ex-colunistas do jornal. Além de Lédio Rosa, aos 60 anos, Clóvis William dos Santos, o Mukirana, assassinado brutalmente no dia 7 de janeiro, aos 44 anos. Muki levou com ele todo seu jeito irreverente de ser.

Falta a redragagem
A tragédia de Brumadinho expôs as fragilidades que o país tem, na falta da fiscalização, na falta da cultura da prevenção, na falta da punição aos culpados. Não só nas barragens. O professor Maurício da Silva, atual secretário da Educação, lembrou muito bem, em artigo publicado no DS nessa semana, que ainda não foi feito o desassoreamento do rio Tubarão, assunto que anualmente é cobrado pelo próprio, nos seminários que a prefeitura realiza em março, quando se relembra a maior tragédia da cidade. 

Tolerância extrema
Essa falta de fiscalização dos órgãos ambientais, como vimos na barragem que se rompeu, gera revolta em todo mundo quando ocorre uma tragédia dessas proporções, mas é extremamente tolerada por parte da população e pelas autoridades competentes na prática do dia a dia. Um exemplo é a situação da Engie, aqui em Capivari de Baixo, cuja fiscalização dos poluentes que lança no ar, e podem provocar até mais mortes que a tragédia de Brumadinho, não é feita por nenhum órgão ambiental do governo, mas pela própria empresa. Quantos, aqui na região, se revoltam publicamente com essa situação? E o Ministério Público, não tem sido extremamente tolerante e generoso quanto a essa prática de autofiscalização?




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