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MILTON ALVES




 
 

Sexta-feira, 24/05/2019, às 06:00

Domingo nas ruas

Já disse aqui e repito: independentemente do resultado em termos práticos no que tange ao poder de mobilização (e isso só vai se saber no final de domingo), o simples fato de terem sido organizadas e anunciadas já deram às manifestações do dia 26 suas primeiras conquistas. O recuo por parte dos deputados do centrão, a reativação de ministérios fechados pelo governo e a retirada ontem, por acordo, do “jabuti” que amordaçava a ação dos auditores fiscais da Receita Federal são prova disso. As manifestações em Tubarão, com a presença de deputados e líderes partidários, estão programadas para domingo, às 15h, defronte ao Museu Willy Zumblick. Na pauta: reforma da previdência, pacote anticrime e Coaf, com Sérgio Moro, única ideia do governo que não prevaleceu na Câmara.

Requerimentos no Senado
Ontem, porém, Álvaro Dias (Podemos) protocolou requerimento para tentar devolver, no Senado, o comando do órgão ao ex-juiz. A bancada do PSL apoia. A grande questão é que a reforma administrativa será votada pelos senadores na próxima terça-feira. Se não alterarem, passa direto. Se os senadores trocarem uma vírgula do texto, a MP terá que voltar à análise no Plenário da Câmara. Sem acordo prévio, o governo ficaria nas mãos de Rodrigo Maia, pois ela caduca no dia 3 de junho. Teria que ser votada novamente na Câmara ainda na semana que vem. As ruas de domingo poderão fazer a diferença. Maia gosta de mostrar poder, mas não é nenhum idiota.

O alucinado
Minhas experiências como comunicador, analista e assessor acabaram me ensinando que o “maior derrotado” entre os políticos é aquele que não aprende nada com suas próprias derrotas. Exemplo clássico disso está acontecendo agora com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), em quem já votei e a quem já dediquei uma maior admiração. A declaração que ele fez ontem durante um debate numa escola em São Paulo, atribuindo à facada em Jair Bolsonaro sua derrota na eleição, se aproxima de uma alucinação. Parece que o “picolé de chuchu” ainda não acordou do atropelamento que sofreu ao fazer míseros 5.096.349 votos, ficando em 4º lugar no primeiro turno, com apenas 4,76% da preferência do eleitorado.

O velho discurso das pesquisas
O argumento de que sua candidatura estava subindo nas pesquisas, e a de Jair Bolsonaro, caindo, quando aconteceu o atentado de Juiz de Fora, e que essa “mudança de postura do eleitor” foi reprimida exatamente porque só naquele dia, o dia da facada, o capitão teve 22 minutos de Jornal Nacional, chega a ser bizarro. Primeiro, porque mostra que Alckmin (que conhece bem como funciona a coisa) ainda se ilude com esses movimentos iniciais de pesquisas, reconhecidamente manipuláveis e direcionados a fortalecer ou enfraquecer candidaturas que interessam ao sistema.

Errou o alvo
E, segundo, porque, além de todos os outros erros estratégicos que sua campanha cometeu, ele não entendeu até hoje que o seu grande problema foi mirar no alvo errado. O pleito de 2018, antes de ser uma disputa entre nomes ou partidos, era uma disputa por comportamentos ideológicos. Tanto que quem o ganhou foi alguém que nem partido tinha, e cuja preparação para estar onde está é até hoje questionada. Tenho absoluta convicção de que o principal erro da campanha tucana foi ter gasto, contra “uma candidatura”, munição que deveria ter sido disparada num eventual segundo turno. 

Quando o adversário é a ideia
Ao decidir bater em Bolsonaro, coisa que fez até mesmo antes do atentado, não respeitando o desejo popular que tomava as redes sociais – num primeiro momento, não em busca de um mito, mas de uma alternativa ideológica para expurgar o PT e suas ideias do comando da nação –, Alckmin mostrou que tanto ele quanto seu partido se divorciaram da realidade de 2018. Tivesse mirado no “grande adversário”, como fez Bolsonaro, que não era nem Haddad, nem Lula, ou muito menos Ciro, mas, sim, a ideologia que eles representavam, talvez sua sorte tivesse sido outra. 




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