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Política

MILTON ALVES




 
 

Segunda-feira, 11/02/2019, às 06:00

Nossas gambiarras

Ainda tentávamos nos recuperar da hecatombe de Brumadinho quando fomos surpreendidos pela dilacerante tragédia que atingiu os meninos do Flamengo, e, numa segunda-feira que serviria para discutirmos nossos erros e suas
consequências, despenca em cima de nossas cabeças um helicóptero trazendo consigo, para os braços da morte, um dos mais conceituados apresentadores da TV e da rádio brasileira. O que Brumadinho, os meninos do Flamengo e Ricardo Boechat têm em comum além das tragédias que os envolveram? Diria eu, sem medo de ser patrulhado pelo ‘politicamente correto’, que as gambiarras.

Fatos em comum
Sim, as gambiarras, reveladas na essência pelo próprio noticiário que sucedeu os três acontecimentos. Em Brumadinho, a tragédia poderia ter sido evitada não fosse o sistema precário e barato utilizado para o armazenamento de rejeitos da mineração e a irresponsabilidade dos diretores da Vale, que foram alertados para a iminente tragédia e nada fizeram; os meninos do Flamengo poderiam estar vivos se não estivessem enclausurados num dormitório de uma só saída, mal ventilado e, supostamente, forrado com material altamente inflamável; e Boechat, agora se sabe, estava sendo transportado numa aeronave que não tinha autorização para tal.

Pagamos com vidas 
É óbvio que o fato de não ter “autorização” não significa que não poderia tê-lo transportado, tanto que o jornalista estava à bordo, e, até que nos provem o contrário, não parece ter sido por causa da presença de Boechat no helicóptero que a aeronave caiu. O problema é que, no Brasil, sempre que acontece uma tragédia impactante – seja pelo número de vítimas ou por alguma personalidade que envolve –, as investigações nunca servem apenas para dirimir dúvidas sobre o que a provocou. A causa nunca é tão simples quanto deveria ser.

O pano de fundo  
No Brasil, as coisas não acontecem apenas em decorrência de causas naturais, falha mecânica ou eventual falha humana. Sempre tem por trás da tragédia, como um pano de fundo humilhante e irresponsável que nos coloca na condição de país de 5º mundo, uma prevaricação dos órgãos fiscalizadores, um desrespeito às leis instituídas ou a relapsidade dos agentes envolvidos. Sempre, sempre tem algo mal feito, ou nem feito. Tudo por aqui é meio na gambiarra. Gambiarras que continuam ceifando vidas inocentes e expondo a podridão do nosso Poder Público. Quando será que vamos aprender o que é responsabilidade? Triste Brasil.

Fortalecendo a tropa
Combater a criminalidade depende de vários fatores, que vão desde os serviços de inteligência e estratégia, passando por frota, equipamentos, armas, e culminando com a tropa preparada. Nos últimos anos, Santa Catarina tem demonstrado que faz isso com certa precisão, tanto que figuramos entre os estados que ainda mantêm bons níveis de combate e baixos índices de criminalidade. A tropa, porém, apesar de ser bem preparada, e isso está claro nas diversas ações de sucesso da PM catarinense, nas últimas duas décadas carece de reposição. Por isso, uma notícia como a divulgada ontem pelo governador sempre é bem-vinda.

Fortalecendo a tropa (2)
O chefe do Executivo, Carlos Moisés, acompanhado do comandante-geral da Polícia Militar de Santa Catarina e atual secretário da Segurança Pública, coronel PM Carlos Alberto de Araújo Gomes Júnior, utilizou as redes sociais para anunciar a abertura de um concurso com mil vagas para o ingresso na carreira da Polícia Militar, ao mesmo tempo em que garantiu a prorrogação da Operação Veraneio até 11 de março, estendendo assim a cobertura para até depois do Carnaval, algo que vinha sendo estudado desde que ele assumiu o governo.

Fortalecendo  a tropa (3)
Os pronunciamentos foram feitos no próprio gabinete da residência oficial do governador, na Agronômica, em Florianópolis, na tarde desta segunda-feira. Se o número de mil novos policiais não supre toda a carência existente, pelo menos evitará que o déficit fique ainda maior. Acontece que não se prepara um policial do dia para a noite, e até esses novos estarem preparados já teremos outros em processo de aposentadoria. Tomara que o Tesouro tenha recursos para que essa reposição seja feita anualmente.




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