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MILTON ALVES




 
 

Sexta-feira, 08/06/2018, às 06:00

A greve e suas consequências

O amigo imbitubense Sérgio Florêncio Silveira, o conhecido “Sérgio Pena”, bacharel em Direito, escrivão de Polícia, colunista, blogueiro, às vezes radialista, dotado de um olhar crítico e profundo estudioso dos movimentos econômicos, políticos e sociais que ordenam este Brasil nas últimas décadas, quando da greve dos caminhoneiros me afirmou que aquele movimento era equivocado e que suas consequências seriam muitos ruins, senão trágicas para o Brasil. Confesso que não levei muito em conta.

A nova ameaça
Ontem, porém, ainda sobressaltado pelas informações recebidas bem cedo, de que até mesmo o Palácio do Planalto estaria temendo outro movimento de paralisação, com riscos de ser até mesmo maior que o anterior, em virtude da oposição que vem sendo feita por transportadoras e setores da economia, como o agronegócio, à Tabela de Preço Único prometida aos motoristas autônomos, voltei a conversar com Sérgio sobre o assunto. Na verdade, uma conversa on-line, com troca de mensagens pelas redes sociais, o que não deixa de ser uma conversa.

O desconto no óleo
Aliás, foi Sérgio que fez o assunto voltar à baila ao replicar uma postagem do twitter de Daniel Adjuto, repórter do SBT em Brasília, com uma informação, no mínimo, preocupante: “A BCI, empresa chinesa concorrente da Petrobras, entrou com um pedido de liminar no STF para também ter subvenção de R$ 0,30 no diesel. Caso não seja atendida, quer que os ministros derrubem a compensação do governo à Petrobras. A BCI alega que há violação à ordem econômica, já que empresas importadoras não têm direito ao subsídio do governo. Para isso, teriam que vender o óleo a, no máximo, R$2,0316, embora comprem por R$2,33”. Ou seja: botaram areia no óleo, e todos sabem que, se botar areia no óleo, o motor acaba fundido.

Provocando minha consciência
Diante do meu espanto por mais essa notícia nada alentadora, Pena disparou: “Pois é, Milton, eu não estou entre os 87% dos que apoiaram a greve. Sempre achei a pauta corporativista, resolvendo problema que eles mesmos criaram e para receber subsídios a serem pagos pela população, inclusive por pessoas que nem carro têm. Fixaram um valor alto para o frete e isso significa intervenção desastrosa do governo na economia, com consequências graves, como já estamos vendo. O mercado se resolve por si só; a lei da oferta e procura não pode ser ignorada, muito menos desequilibrada. Perdi vários colegas ao me posicionar contra a greve, mas eu sei que a história, em meses, provará que o movimento não era pertinente”. Caracas! Vamos tomar uma cerveja, Pena? Acho que preciso ouvir o amigo mais de perto.

E isso porque o estado é laico
Acreditem se quiser. Segundo a Agência Brasil, a Assembleia Legislativa de São Paulo tornou lei a diminuição de pena para presos no sistema carcerário pela leitura de um livro religioso bastante conhecido. Deputados estaduais rejeitaram um veto do então governador Geraldo Alckmin a um projeto de lei aprovado em dezembro passado, que estabelece a diminuição de pena para presos que, comprovadamente, lerem a obra chamada Bíblia. Sem mesmo entrar no mérito dessa ideia estapafúrdia, me veio à tona algumas perguntas, considerando apenas o caráter técnico da aplicação da lei.

Como, por exemplo:
A quem caberá a responsabilidade de fazer esse controle? Como se provará que o preso realmente leu e não apenas passou os olhos na obra? Se for exigida provinha de perguntas e respostas, quem a executará? Professores estaduais? Pastores ou padres das igrejas? Os carcereiros de plantão? Ou, quem sabe, o governador? Para né, meu! Esses caras não são sérios. Num país em que a educação apodrece, querem beneficiar presos induzindo religião? E se você, tanto quanto eu, está pasmado, saiba de um outro detalhe: a “iluminada” lei diz que cada livro da Bíblia será considerado uma obra à parte. A Bíblia evangélica tem 66 livros. A católica, 73. Para o ônibus, que eu quero descer.




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