MENU

COLUNISTAS


Variedades

RENATA DAL-BÓ




 
 

Quarta-feira, 03/07/2019, às 06:00

O plano infalível

Segunda-feira nunca foi meu dia favorito e na última, em particular, estava especialmente melancólica, pois meu pai estava indo embora depois de ter passado alguns dias conosco. Foi, então, que bolei um plano infalível: convidei a Mariana e a Carol, minhas filhas de 9 e 21 anos, para assistir à “Turma da Mônica – Laços” no cinema. As duas, assim como eu, ficaram animadíssimas para ver a Mônica, o Cebolinha, o Cascão e a Magali em carne e osso.

Há quase seis décadas, a Turma da Mônica vem encantando várias gerações e sendo responsável por despertar o gosto pela leitura em milhares de jovens. É incrível como a história do menino que troca o R pelo L e da menina “baixinha e dentuça”, dona da rua e do temido coelho de pelúcia Sansão, traz à tona nosso imaginário infantil. Comigo não foi diferente, comecei a ler com as histórias do Maurício de Souza e me sentia parte daquela turma divertida, que morava numa rua cheia de casinhas coloridas e andava solta pela rua brincando, brigando e, principalmente, sendo amigos inseparáveis. Às vezes, torcia para que o plano do Cebolinha desse certo, pois o coitado sempre levava a pior. Não preciso nem falar que me identificava com a Mônica, pois também era dentuça e gordinha. Queria ter a coragem dela, ser briguenta e enfrentar os meninos da rua, mas não era bem assim, eu era bastante pacífica, para não dizer tansa. Lembro-me uma vez que minha irmã, que é quatro anos mais nova que eu e na época devia ter uns seis anos, chegou em casa indignada. Minha mãe perguntou o porquê de toda aquela brabeza e ela respondeu:

- Mãe, você não vai acreditar, o Betinho xingou a minha irmã de idiota. Agora eu vou lá dar uma porrada na cara dele. – O espanto dos meus pais foi grande, pela coragem e pelo palavreado nada apropriado para uma criança.

Numa outra vez, enchi-me de coragem e dei um tapa na orelha de um menino que estava me chamando de gorda. Acho que foi a única vez na vida que bati em alguém. A Magali também era minha “ídola”, já que comer sempre foi o meu “esporte” preferido. Uma vez, minha irmã e eu nos distraímos no clube e chegamos bem atrasadas para o almoço. Minha mãe, que já estava brava com o nosso atraso, disse que o almoço já tinha terminado e que tínhamos que esperar pelo café da tarde. Então, ela falou:

- Vocês estão com fome? Então, vão lá na rua comer vento.

Minha irmã, que não era muito fã de comida, ficou feliz da vida e eu, que estava faminta, comecei a chorar de desespero.

Essa e muitas outras memórias emergiram enquanto via o filme. E não é que meu plano infalível deu certo, peguei o Sansão e arremessei na cara da melancolia. Terminei minha segunda-feira rindo com as minhas filhas e relembrando essas histórias que habitaram meu universo infantil.




OUTRAS COLUNAS









MAIS LIDAS










Avenida Marcolino Martins Cabral, 1315, 6º piso Praça Shopping
Centro - Tubarão/SC - CEP 88701-105 - 48. 3631-5000
Todos os direitos reservados - JORNAL DIÁRIO DO SUL