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RENATA DAL-BÓ




 
 

Quarta-feira, 19/06/2019, às 06:00

Terceirização do afeto

Todos sabemos que, com a quantidade de atribuições que temos nos dias atuais, faltam horas no fim do dia para fazermos tudo que precisamos ou planejamos. Fazemos tudo correndo para dar conta do recado. Por isso, passamos para outras pessoas ou instituições tarefas que não conseguimos realizar com ou para nossos filhos no dia a dia. Por causa desta demanda, algumas escolas nos grandes centros já oferecem serviço completo de apoio à criança com pais superocupados. De papinha a babá em tempo integral, incluindo os fins de semana. Seria isso uma terceirização do afeto?

Sem dúvida, este é um tema polêmico, pois acredito que a maioria dos pais que têm pouco tempo disponível quer ter uma melhor qualidade nas horas que passam com seus filhos. Por isso, muitas vezes transferem certas tarefas, como dar a comida, banho, fazer a tarefa e levar o filho à escola, para outras pessoas. Mas, afinal, o que é ter “qualidade de tempo com o filho”?

É claro que cada caso é um caso, e cada um sabe onde o sapato aperta, mas a meu ver é justamente nas atividades do dia a dia que temos a oportunidade de estreitar o vínculo com nossos filhos, de ensinar, trocar amor, dar carinho, advertir, chamar a atenção, enfim, educar e dar afeto.

Quantas vezes ouvi confissões de meus filhos durante o banho, ou pude ensinar algo durante uma refeição. Quantas vezes ouvi um desabafo ou confortei meus filhos enquanto íamos para a escola. Quantas vezes pude beijar, acarinhar, ou repreender enquanto fazíamos tarefa juntos. Milhões e milhões de vezes.

Por outro lado, sempre precisei de pessoas da família ou de confiança que me ajudassem nos momentos em que não posso estar com eles. Talvez isso seja uma terceirização de afetos. Se for, não vejo problema algum, pois que coisa boa que nossos filhos (e nós também) possam contar com os avós, tios ou profissionais (babás, professoras) que contribuam para sua educação e lhes deem carinho e afeto.

Ter filhos não é tarefa fácil. Tem dias em que chegamos em casa exaustos e ainda precisamos de energia para estar com eles de corpo e alma. Sem falar nas escolhas e renúncias que precisamos fazer para ficar mais tempo juntos. Acho que a qualidade deste tempo é importante, mas a quantidade também é. Quanto mais tempo passamos com nossos filhos, mais oportunidade temos de educá-los, de enxergar suas necessidades, de trocar amor e de formá-los pessoas mais seguras e felizes.




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