MENU

COLUNISTAS


Variedades

RENATA DAL-BÓ




 
 

Quarta-feira, 05/06/2019, às 06:00

As mulheres na literatura catarinense

No último dia 31 de maio, fui convidada para participar de um bate-papo literário com o tema “A presença da mulher na literatura catarinense”, em comemoração aos 165 anos da Biblioteca Pública do Estado de Santa Catarina. Quando a biblioteca foi inaugurada, no ano de 1853, o Brasil ainda estava na época do Império, e a literatura era essencialmente escrita por homens. Conforme escreve Claúdia Regina Silveira, em sua tese de doutorado Dicionário de Escritoras Catarinenses, “com o poder da pena, os homens delinearam teorias e conceitos sobre a mulher e seu lugar na sociedade. Não que elas não tivessem nada a dizer, mas porque não conseguiam mostrar suas vozes ante o véu da invisibilidade social que as recobria. E, mesmo porque, às mulheres não era permitido o verbo “escrever”, pois a pena lhe traria o risco de sujar-se ante as impurezas da tinta; a elas, outros verbos muito mais “adequados” lhes eram destinados: obedecer, aceitar, calar, parir e submeter-se. Nesse contexto, é possível entender o motivo de tantas delas terem hesitado em entrar no mundo da escrita”.

Voltando ao bate-papo na biblioteca, entre as mulheres que lá estavam representando a literatura feminina catarinense (as escritoras da ACL Maria Tereza Piacentini e Lélia Pereira Nunes, a jornalista e poetisa Maria Odete Olsen, a presidente da Fundação Catarinense de Cultura e esta pessoa que vos escreve) estava a jovem Sofhia Debiasi Mattei, de 13 anos, que roubou a cena com sua fala e emocionou a todos nós. Sofhia é de São Ludgero, tem 13 anos, e escreveu seu primeiro livro aos sete. Sempre incentivada pela família, principalmente pela mãe, seguiu escrevendo, e aos nove anos já havia escrito seu segundo livro de poesias, ainda a ser editado. Sofhia diz que hoje, quando a perguntam “Quem é Shopia?”, ela diz que não consegue não lembrar das poesias: “Sofhia não é Sofhia sem seus versos e rimas”.

No ano passado, Sofhia conheceu a professora Giseli Fuchter, que a incentivou e a orientou em suas escritas. Desde então, Sofhia já participou de coletâneas e concursos literários. Através de Giseli, Sofhia chegou à Ajeb-SC (Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil), e hoje é a nossa mais jovem associada.

Sofhia, em sua fala, disse que se sentia honrada em estar sentada ao lado de escritoras experientes, que representam a figura feminina na literatura catarinense. Na verdade, nós é que estávamos honradas em ter Sofhia ao nosso lado, representando a nova geração de escritoras, com tanto talento e maturidade. Sofhia continuou nos encantando com suas palavras: “Há tantas pérolas que podem ser lapidadas nas escolas, tantos jovens escritores que precisam ser acolhidos e incentivados pelos professores”. E finalizou: “Mulheres antes de nós abriram caminho para que estivéssemos aqui hoje, então sou imensamente feliz e honrada em dizer que eu escrevo sem ser julgada ou discriminada por isso. Por isso, me vejo responsável em enaltecer e valorizar a escrita feminina”. Só me resta agradecer e parabenizar Sofhia, pelo exemplo que está dando aos jovens de sua geração e também a nós=, mulheres escritoras, que tanto batalhamos para mostrar nossa arte em verso e prosa.




OUTRAS COLUNAS









MAIS LIDAS










Avenida Marcolino Martins Cabral, 1315, 6º piso Praça Shopping
Centro - Tubarão/SC - CEP 88701-105 - 48. 3631-5000
Todos os direitos reservados - JORNAL DIÁRIO DO SUL