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RENATA DAL-BÓ




 
 

Quarta-feira, 29/05/2019, às 06:00

Minha história com Tubarão

No último dia 27 nossa cidade completou 149 anos de vida. Se formos levar em consideração a história da humanidade, poderíamos dizer que ainda está engatinhando. Mas, se formos levar em conta a história do Brasil, poderíamos dizer que Tubarão é uma jovem mulher, no auge de sua beleza e desenvolvimento, e com a vida toda pela frente.

Mas hoje eu quero contar a minha história com Tubarão, que começou quando eu tinha 18 anos. Nós morávamos em São Paulo e meu pai veio trabalhar na Eletrosul, hoje Engie. Minha mãe e irmã vieram morar aqui e eu fui para Florianópolis fazer jornalismo na Ufsc. Durante este tempo, apenas vinha para cá visitar meus pais e alguns amigos que havia conhecido quando moramos em Candiota, uma vila próxima a Bagé, no Rio Grande do Sul. Um breve parênteses: por causa do trabalho do meu pai, antes de nos mudarmos para Tubarão, havíamos morado em outras oito cidades, ou seja, não criamos raízes em nenhum lugar. Eu, pelo menos, sentia-me meio órfã,  sem uma cidade natal para chamar de minha.

No meio da minha faculdade, um colega do meu pai resolve montar um curso de inglês aqui em Tubarão e o convida para sócio. Como eu havia me formado na língua e estava dando aulas, meu pai achou uma boa ideia e resolvemos encarar o desafio. Para isso, eu teria que me mudar para cá. Continuei fazendo jornalismo na Ufsc, porém com residência fixa aqui. Foi aí que nasceu meu caso de amor com Tubarão.

Em julho de 1992, recém morando na cidade, conheci meu atual marido, no dia da inauguração do meu curso de inglês, que aconteceu no Barbatana. Lembra? Alguns anos depois, fui pedida em casamento em cima da ponte Nereu Ramos. Nesta época, Márcio e eu costumávamos sair madrugada afora passeando de carro pela cidade. Lembro-me que a música que tocava no toca-fitas era a ópera Nessun Dorma, cantada por Luciano Pavarotti: “Nessun dorma! Tu pure, o principessa” (Não durma! Tu também, ó princesa). De repente, ele para em cima da ponte Nereu Ramos, sai do carro, abre minha porta e me convida a dançar sobre o rio Tubarão. Ao final da ópera, ele se ajoelha na minha frente e me pede em casamento. Inesquecível!

Aqui nasceram nossos três filhos. Aqui me descobri escritora e conquistei o respeito profissional de meus colegas e leitores. Como não ser apaixonada por Tubarão? Adoro esta cidade, que adotei como minha. Não é perfeita (nada e nem ninguém é), mas é o lugar onde tive (e continuo tendo) as maiores alegrias da minha vida. Sempre que viajamos temos uma felicidade imensa em voltar, em poder admirar o nosso rio e as nossas montanhas de cima do nosso apartamento.

Parabéns, Tubarão, que você continue proporcionando momentos felizes para seus “filhos”. Sabemos que às vezes não é fácil crescer, as perdas são inevitáveis, mas junto com o crescimento vem a maturidade. Que você amadureça com sabedoria, responsabilidade e empatia, e continue nos acolhendo com afeto e generosidade. Não nasci de seu ventre, mas é aqui que vivo e é aqui que quero morrer, bem velhinha, amparada pela ternura de seus braços e eternizada em suas memórias e seu coração.




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