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RENATA DAL-BÓ




 
 

Quarta-feira, 15/05/2019, às 06:00

Lembrei.... esqueci!

Ando preocupada com minha memória. Sinto que a cada dia ela está piorando. Será que é a idade ou será que minha memória está ficando cada vez mais seletiva? Ontem mesmo, saí de casa única e exclusivamente para levar uma mochila para minha filha, que ia dormir na casa da prima, e, ao chegar ao local, dei-me conta de que não havia pego a mochila que deixei ao lado da bolsa, para não esquecer. Dizem que nossa memória funciona de forma seletiva, ou seja, lembramos apenas daquilo que consideramos importante. Será?

Quando ouço no noticiário que algum pai esqueceu o filho no carro, sinto uma dor no estômago. Com certeza, o fator importância não teve nada a ver com esse esquecimento. Afinal, o que há de mais importante que um filho? Talvez, esse pai tenha saído da rotina ou estava com a cabeça cheia de coisas para resolver. Enfim, sempre tive pavor de que um dia isso acontecesse comigo.

  Há alguns anos, estava pegando meu filho Bruno no colégio, ele devia ter uns quatro aninhos. Como sempre fazia, entrava no carro e perguntava como havia sido a aula. Naquele dia, entrei no carro, dei partida e perguntei, automaticamente:

– E então, filho, como foi a aula hoje?

   Aguardei por uns segundos a resposta e, como ele não se manifestou, repeti a pergunta:

– Filho, a aula foi legal hoje? Conta pra mãe...

     Nada de resposta. Neste momento, me deu um frio na espinha e olhei para trás. Quando não enxerguei o Bruno na cadeirinha do banco traseiro, me bateu um desespero. Em alguns segundos, milhares de coisas se passaram pela minha cabeça: será que esqueci meu filho na calçada, entrei no carro e saí? Meu Deus, o Bruno deve estar correndo atrás do carro e vai ser atropelado. Que tipo de mãe sou eu que esquece o filho na porta da escola?

     Enquanto pensava, comecei a berrar pelo seu nome, e parei o carro imediatamente. Quando estava quase saindo, o Bruno aparece na parte de trás da caminhonete, onde havia se escondido para me dar um susto. Comecei a chorar copiosamente, dei uma baita bronca e pedi que ele nunca mais fizesse aquilo novamente. Até hoje, quando me lembro do episódio, me dá uma dor no coração.

     Somos constituídos pelas nossas lembranças, e somente nos lembramos daquilo que, de alguma forma, foi significativo para nós, que nos afetou, sejam coisas boas ou ruins. Já pensou se um dia toda a nossa memória se apaga? Ficamos sem referências, sem saber quem somos, perdemos nossa identidade.

     Mas, afinal,  o que me levou a falar sobre essas questões da memória? Acho que é o medo que tenho de perdê-las. Por isso escrevo, para que minhas memórias fiquem registradas e para que eu nunca não me perca de mim.




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