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RENATA DAL-BÓ




 
 

Quarta-feira, 08/05/2019, às 06:00

A literatura como patrimônio histórico

Há alguns dias, a Ajeb (Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil) – Coordenadoria de Santa Catarina teve a honra de receber a escritora e membro da Academia Catarinense de Letras Lélia Pereira Nunes para falar sobre a literatura como patrimônio histórico e cultural imaterial. Lélia, que é tubaronense, mas reside em Florianópolis desde 1970, fez uma fala memorável e de extrema importância para entendermos um pouco mais sobre a literatura como parte integrante de um patrimônio cultural e sua relevância na geração de um sentimento de identidade e continuidade de um povo, contribuindo para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana. Lélia sabe do que está falando, pois é pesquisadora e estudiosa da contribuição cultural da diáspora açoriana na Ilha de Santa Catarina e do Patrimônio Imaterial Catarinense, e é sócia Emérita do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina.

Mas, afinal, o que é um patrimônio histórico imaterial? Segundo informações do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), os bens culturais de natureza imaterial dizem respeito àquelas práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares (como mercados, feiras e santuários que abrigam práticas culturais coletivas).

Tomemos como exemplo as crônicas que os jornalistas e escritores publicam nos periódicos de suas cidades, estados, país. Hoje, talvez, damos pouca importância aos fatos do cotidiano relatados nelas. Aliás, costumo brincar que, muitas vezes, no dia seguinte em que foram publicadas viram o lugar ideal para os cachorros fazerem suas necessidades. Quantas vezes já vi, aqui em casa, minhas crônicas molhadas com o xixi do Pingo, nosso cachorro. Felizmente, virtualmente elas permanecem intactas e resistem às intempéries do tempo, pois são de imensa relevância como registro de uma época. Muitas das histórias que conhecemos de tempos passados são contadas por meio da literatura, que, através dos romances, crônicas, contos, poemas, faz a reconstituição de um período da história. Através da ficção, os escritores narram como as pessoas vivem, como são seus hábitos, costumes, ideias e sentimentos, transmitindo conhecimentos e retratando a relação entre os homens e a sociedade. Textos literários escritos há mais de um século continuam ecoando, fazendo com que as histórias neles contadas permaneçam no seu processo evolutivo.

A literatura, assim como a história, tem trazido à tona o que a oficialidade, muitas vezes, faz questão de apagar. Em verso e prosa, o escritor diz o indizível, dá voz às minorias, sendo fiel aos anônimos, cujas histórias tecem a imaginação e o universo de nossas marcas simbólicas.




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