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RENATA DAL-BÓ




 
 

Quarta-feira, 24/04/2019, às 06:00

Para o mundo que eu quero descer

Há alguns dias, minha grande amiga Rita Elizabete publicou um post no Facebook que eu achei bárbaro. Ela começou com a seguinte pergunta:

“Em que momento o mundo ficou tão chato?” Só aí já podemos fazer várias divagações, mas sigamos em frente. Em seguida, contextualizou: “Todo mundo se acha o bonzão, tem respostas pra tudo, explicações pra tudo, soluções pra tudo. O orgulho de fazer o melhor, o orgulho por fazer o certo. A razão de saber o que é o certo está deixando o convívio extremamente chato. Não é só uma questão de diminuir a expectativa com relação ao outro, é também diminuir o orgulho pelas suas próprias atitudes. Até porque, quando diminuo essa expectativa, eu diminuo o outro – porque penso, inconsciente, talvez, que o outro é incapaz de superar a minha expectativa (que é superior). Quando me orgulho das minhas atitudes, alimento meu ego e diminuo o outro ainda mais porque eu que sei o certo e o melhor. Assim, fica difícil! Poderíamos simplesmente entender os nossos limites, os do outro e termos mais compaixão. Desnecessário se ofender com tudo tentando se sobressair ao outro. Dar opinião sobre tudo e esperar o aplauso, opinar sobre tudo sem ao menos refletir sobre as possibilidades... desnecessário”.

Estamos na era das certezas absolutas. Eu sei, eu posso, eu quero, eu sou o melhor... Muito chato mesmo! É o mundo de Narciso, aquele que, na mitologia grega, ficou conhecido pela sua beleza e também pela impossibilidade de se contemplar, pois, segundo o mito, perderia sua beleza e a vida longa. Mas, ao ver-se refletido nas águas de uma fonte, ele se apaixona por si. E, em busca desse amor impossível, Narciso funde-se consigo mesmo e sucumbe na própria imagem.

Qualquer semelhança com os dias atuais não é mera coincidência. Todos nós vivemos hoje olhando para o espelho, para o próprio umbigo. Estão aí as selfies, que não me deixam mentir. Quando foi que a empatia se perdeu pelo caminho?

Todos querem aparecer, falar, dar opinião, mas ninguém quer escutar. É uma busca incessante pelo elogio, pelo olhar do outro, para ser admirado reconhecido, amado.

E, nesta busca, nos esquecemos justamente do outro. Dessa forma, cada vez mais as relações se tornam superficiais, ou seja, quando se está realmente em contato com o outro, a pessoa pouco expõe o que deseja, sente, pensa, pois está tão voltada para a sua “selfie”, pra seu umbigo, que esquece que há pessoas ao seu redor. Assim como Narciso, acaba se apaixonando pela própria imagem. Socorro! Para o mundo que eu quero descer.




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