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RENATA DAL-BÓ




 
 

Quarta-feira, 13/09/2017, às 06:00

A primeira vez

Estou há dias quebrando a cabeça para escrever o meu primeiro artigo científico. Não está sendo fácil, pois é um tipo de texto completamente novo para mim. Você deve estar pensando: mas você é jornalista, já escreve há anos, certamente não vai ter nenhuma dificuldade. É exatamente isso que ouço dos meus familiares e amigos. Só que não. A escrita de um artigo científico não tem nada a ver com as crônicas que escrevo semanalmente, aliás, são gêneros opostos. A crônica é uma narrativa mais livre, onde relato fatos do cotidiano de acordo com minha visão crítica. Sinto-me, muitas vezes, como se estivesse dialogando com o leitor. Já o artigo científico é um trabalho acadêmico, onde a escrita é formal e apresenta resultados sucintos de uma pesquisa realizada de acordo com o método científico aceito por uma comunidade de pesquisadores.

O fato é que a escrita deste artigo me fez refletir sobre as minhas inúmeras primeiras vezes. Lembrei-me do meu primeiro dia de aula no 1º ano do primário (hoje seria o 2º ano do ensino fundamental). Ainda tenho na minha memória a mistura de sentimentos que experimentei naquele dia. Além de ser o primeiro dia de aula era também o primeiro numa escola nova. Sem dúvida, senti um medo enorme, que se manifestou numa forte dor de barriga. Mas não era só medo, senti também uma felicidade imensa em conhecer aquela escola e fazer novas amizades. E neste meio entre o medo e a felicidade muitas outras sensações se misturavam, num verdadeiro coquetel sentimental.

A primeira vez que falei em público também jamais esquecerei. Eu tremia igual vara verde, e não havia nada que me fizesse conseguir parar. Minha garganta parecia um Deserto do Saara, de tão seca. Além disso, precisava fazer um esforço hercúleo para que as palavras saíssem pela minha boca. O jeito foi colocar as mãos no bolso e disfarçar. Ao mesmo tempo em que estava sofrendo em estar ali, também estava adorando, pois havia me preparado dias para aquele momento. Aos poucos, fui me controlando e conseguindo falar de maneira mais tranquila.

Outra primeira vez que nunca sairá da minha memória é a gravação da minha primeira matéria jornalística para a TV, assim que me formei. Não preciso nem dizer que foi um verdadeiro desastre. Levei um dia inteiro para escrever o off (aquele texto feito com base nas imagens) e regravei inúmeras vezes as passagens (aquele momento em que o repórter aparece na matéria). Minha vontade era de sair correndo e não voltar nunca mais. Porém, sobrevivi e segui em frente.

A questão é que para haver uma segunda vez, há necessariamente que haver uma primeira. A primeira vez que fazemos qualquer coisa na vida está longe de ser a melhor, mas não vai se comparar nunca com as outras vezes. A primeira vez tem sabor de vitória, de superação. A primeira vez nos enche de perspectiva e abre caminho para um mundo cheio de possibilidades. Que tenhamos sempre coragem para não renunciarmos às nossas primeiras vezes!




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