| Em geral, as crianças apresentam curiosidade sobre a morte, independentemente de terem ou não passado por uma situação de perda.
Questões sobre essa temática são frequentes no dia a dia das crianças, uma vez que estão presentes em cenas de filmes, novelas, desenhos animados e até mesmo na vida real. Porém, a ficção nem sempre dá a este fenômeno uma concepção real, como no caso dos desenhos animados, onde as pessoas morrem e daqui a poucos minutos reaparecem em novas cenas.
O significado de morte varia de acordo com a idade da criança. Crianças menores, entre dois e quatro anos, não compreendem a morte como irreversível. O conceito de irreversibilidade começa ser assimilado por volta dos cinco anos de idade. O sentimento de perda e uma melhor compreensão sobre o fenômeno da morte iniciam a partir dos sete ou oito anos.
Mas, diferentemente da grande maioria dos adultos, que demonstram dificuldade ou apreensão para falar sobre a morte, as crianças geralmente não apresentam dificuldades em falar ou perguntar. A criança é espontânea, fala sobre seus sentimentos e curiosidades de modo natural e sem rodeios.
Tal dificuldade dos adultos está relacionada com nossa cultura, que atribui a este fenômeno o significado de perda, dor, desamparo, abandono, medo e desconhecido. O modo como a criança irá compreender e assimilar está diretamente relacionado à forma como ela receberá tais informações e orientações por parte dos adultos.
Sob o ponto de vista da Psicologia, a criança necessita de respostas para suas inquietudes e, muitas vezes, as respostas são simples, embora os adultos tenham medo de respondê-las. Querer saber e falar sobre a morte é só mais um dos focos de interesse da criança, assim como sexualidade, doenças, adoção, namoro...
Mas o que falar e como falar sobre a morte com as crianças?
- As repostas devem ser sempre verdadeiras e simples, muitas vezes baseadas nas crenças pessoais.
- Se você não sabe responder, não hesite em dizer isso à criança, afinal, você é adulto, mas não tem respostas para todas as dúvidas.
- Evite contar histórias muito fantasiosas.
- Não associe à ideia de abandono, descanso, viagem, adormecimento, como forma de simplificar suas explicações sobre a morte. Isso pode gerar confusão conceitual para as crianças, desencadeando pavor noturno, enurese, medo de dormirem sozinhas, de viajar, de serem abandonadas, medo do escuro, entre outros.
- Respeite o tempo da criança. Ela irá perguntar de acordo com sua necessidade e capacidade de entendimento. Ou seja, dê respostas claras e objetivas, avançando à medida que a criança for pedindo mais explicações.
- A criança pode perceber sua tristeza frente a uma situação de perda e luto, mesmo que você não chore na frente dela. Seja sincero, fale sobre seu sentimento de tristeza e saudade. A criança se sentirá mais segura ao perceber que o sofrimento dela se assemelha ao das demais pessoas. Pois, assim como os adultos, as crianças também vivenciam o luto, necessitando ser acolhidas e compreendidas nesse processo.
- Respeite o desejo da criança. Se ela faz questão de ir ao velório, leve-a (não precisa ficar o tempo todo).
Portanto, falar sobre a morte é falar sobre a vida, pois ela faz parte do ciclo vital e o adulto que silencia não está protegendo a criança, mas sim a deixando sozinha em suas dúvidas, ansiedades e fantasias. |